O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) apresentou, nesta sexta-feira, 18, uma de suas experiências de inovação tecnológica durante o II Fórum Estadual dos Juizados Especiais (Foestajes), realizado na Escola da Magistratura do Espírito Santo (Emes), em Vitória. O desembargador Júnior Alberto, coordenador dos Juizados Especiais Cíveis do TJAC, participou do painel “Boas Práticas dos Juizados Especiais”, apresentando a experiência acreana com o uso da Inteligência Artificial na atermação.
Durante a exposição, o desembargador apresentou a ADATermação, módulo da Assistente Digital Ampliada (ADA) desenvolvido pelo TJAC para apoiar o atendimento inicial de cidadãos que procuram os Juizados Especiais. A ferramenta utiliza recursos de Inteligência Artificial para auxiliar na transcrição e organização do relato apresentado pelo cidadão, contribuindo para a elaboração da minuta processual. A proposta, conforme destacada na apresentação, é enfrentar desafios históricos da atermação, como a alta demanda, equipes reduzidas, rotatividade de estagiários, demora na elaboração dos termos e dificuldades relacionadas à padronização técnica dos documentos.
Ao apresentar o ADATermação, Júnior Alberto destacou que a inovação tecnológica deve estar associada à solução de problemas concretos e ao aprimoramento da prestação jurisdicional. A apresentação mostrou que, no modelo tradicional, a necessidade de digitação individualizada dos relatos poderia tornar o atendimento mais demorado, enquanto a rotatividade de estagiários exigia treinamento constante e podia gerar oscilações na qualidade técnica dos termos.
Com o uso da ADA, o relato do cidadão pode ser transcrito e estruturado pela ferramenta, permitindo que o servidor concentre sua atenção na pessoa que está sendo atendida. A tecnologia atua em segundo plano, enquanto o profissional mantém o contato direto e a escuta ativa. Por isso, um dos conceitos apresentados no fórum foi “Tecnologia que transcreve, humano que acolhe”, sintetizando a proposta de utilização da inteligência artificial nos Juizados Especiais do Acre.
A Assistente Digital Ampliada (ADA) foi desenvolvida pelo Tribunal de Justiça do Acre como uma solução de Inteligência Artificial voltada ao apoio de atividades administrativas e jurisdicionais. Suas ferramentas atendem aos primeiro e segundo graus e incluem funcionalidades específicas para os Juizados Especiais. No caso da atermação, a tecnologia permite reduzir atividades repetitivas, como a digitação de longos relatos, e contribui para estruturar as informações desde o início do processo. Entre os resultados esperados estão maior celeridade, melhor aproveitamento do tempo dos servidores, elaboração de minutas pré-estruturadas e fortalecimento da escuta durante o atendimento.
O II Foestajes reuniu magistrados, integrantes do sistema de Justiça e profissionais ligados aos Juizados Especiais para compartilhar experiências e discutir iniciativas voltadas ao aprimoramento da prestação jurisdicional. O painel “Boas Práticas dos Juizados Especiais” teve a participação, além do desembargador Júnior Alberto, do juiz de Direito do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) Fabrício Reali Zia e da coordenadora-geral dos Juizados Especiais do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Fernanda Chuahy de Paula. A atividade foi presidida pelo promotor de Justiça do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Pedro Ivo de Sousa.
Ao levar o ADATermação para o debate com outros tribunais, o TJAC compartilhou uma experiência que une inovação, tecnologia e humanização, tendo como objetivo simplificar o acesso do cidadão aos Juizados Especiais sem abrir mão da escuta e da atuação dos profissionais.
Fonte: TJ Acre






























