Menu

POLÍTICA ACREANAOperação Death Note atinge ex-chefe da Casa Civil e agita eleição no Acre

PF e CGU investigam desvio de mais de R$ 30 milhões da Educação; busca na casa de Jhonatan Donadoni, ligado à campanha de Fábio Rueda, leva caso ao centro da disputa eleitoral.

publicidade

A Operação Death Note, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), rapidamente ultrapassou o campo policial e ganhou forte repercussão política no Acre. Uma das diligências atingiu Jhonatan Donadoni, ex-secretário-chefe da Casa Civil e atualmente um dos articuladores da campanha de Fábio Rueda, candidato a deputado federal.

Segundo informações divulgadas por veículos locais, foi cumprido mandado na residência de Donadoni, em Cruzeiro do Sul. A PF ainda não divulgou a lista oficial completa dos alvos, o que exige cautela na atribuição individual de responsabilidades. O que está confirmado é que a operação investiga um suposto esquema de desvio de recursos federais repassados ao estado por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Entre as irregularidades apuradas estão direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos, pagamento de vantagens indevidas e movimentações financeiras para ocultar a origem do dinheiro. De acordo com a CGU, o prejuízo potencial identificado ultrapassa R$ 30 milhões. A operação cumpre 27 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Manaus, São Paulo, Barueri e Ribeirão Preto. A Justiça também determinou o sequestro de bens que possam ter sido adquiridos com recursos desviados.

Leia Também:  Deputada Maria Antônia defende convocação de bombeiros e pede núcleo de atendimento à mulher em

Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por crimes como fraude em licitação, peculato, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A dimensão política do caso ganhou força pela trajetória recente de Donadoni, que comandou a Casa Civil do Governo do Acre até o final de junho. Sua exoneração foi oficializada em 30 de junho, quando Cristovam Pontes de Moura assumiu a pasta. Na ocasião, fontes de bastidores atribuíram a saída ao apoio de Donadoni à pré-candidatura de Fábio Rueda, versão nunca confirmada oficialmente pelo governo.

Meses depois, o vínculo político se tornou mais explícito. Reportagem do ContilNet, publicada em 2 de setembro, descreveu Donadoni como responsável pela coordenação da campanha de Fábio Rueda, destacando sua atuação na articulação de lideranças nos municípios. É justamente essa conexão que transforma a Operação Death Note também em um fato eleitoral.

Até o momento, não há informação pública que permita incluir Fábio Rueda na participação das irregularidades investigadas. Também não há declaração ou decisão de mérito contra Donadoni no âmbito da operação. A investigação está em andamento, e os mandados de busca não equivalem à declaração de culpa. Mesmo assim, o impacto político é evidente: quando um coordenador de campanha que ocupou recentemente uma das cargas mais poderosas do governo aparece no contexto de uma operação que apura prejuízo superior a R$ 30 milhões, o caso passa a integrar o debate eleitoral.

Leia Também:  Augusto Cury propõe pacto nacional e prioriza saúde e educação

A Death Note também alcançou outros personagens da administração estadual. O ex-secretário de Educação Aberson Carvalho foi alvo de busca e teve o celular apreendido, segundo apuração da imprensa acreana. Sua defesa afirmou que ele colabora com as autoridades e destacou que a investigação está em fase preliminar. Para os portais Rio Branco 24 Horas e Acre Conservador, é preciso separar duas dimensões do caso: a policial, objetiva, sobre os supostos desvios milionários; e a política, que envolve um ex-chefe da Casa Civil que saiu há poucos meses e hoje atua na campanha de um candidato à Câmara Federal.

A partir de agora, o avanço das investigações poderá esclarecer se essa conexão terá apenas repercussão política ou se produzirá consequências jurídicas mais amplas. Por enquanto, a Operação Death Note já produziu um fato incontornável na campanha acreana: uma investigação de grande porte sobre recursos da Educação passou a tocar diretamente o entorno político de uma candidatura federal na reta final da eleição.

Fonte: O Seringal

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade