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RISCO SANITÁRIO

Acre decreta emergência por risco de surto de sarampo

Casos aumentam nas Américas e Bolívia registra infecções perto da fronteira
Decreto foi divulgado no Diário Oficial do Estado dessa quinta-feira, 17. Foto: arquivo

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Diante do alarmante avanço do sarampo nas Américas, o governo do Acre decretou, nesta quarta-feira (16), estado de emergência em saúde pública, com validade de 90 dias. A medida foi oficializada por meio de publicação no Diário Oficial do Estado e tem como principal objetivo evitar a reintrodução da doença no território acreano, especialmente devido à baixa cobertura vacinal e à alta taxa de abandono das segundas doses da vacina.

A proximidade com a Bolívia, que já confirmou casos da doença, acende um alerta vermelho nas autoridades estaduais. O Acre não registra casos de sarampo desde o ano 2000, mas enfrenta hoje um cenário vulnerável, com muitas crianças, adolescentes e jovens adultos com o esquema vacinal incompleto — uma janela perigosa para a circulação do vírus altamente contagioso.

“O decreto é uma medida estratégica, preventiva. Não temos nenhum caso confirmado, mas há quatro em investigação. A decisão ajuda a acelerar a presença do Ministério da Saúde no território, integrando ações entre estado, municípios e União”, explicou o secretário de Saúde, Pedro Pascoal.

💉 Baixa vacinação é o grande vilão

Segundo dados da Sesacre, a faixa etária mais afetada nas Américas varia entre crianças abaixo dos 5 anos, adolescentes de 10 a 19 e jovens adultos entre 20 e 29 anos — justamente as faixas com maior déficit de vacinação.

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Esse novo perfil epidemiológico revela um problema estrutural de longo prazo: falhas na cobertura vacinal desde a infância, agravadas por campanhas enfraquecidas, desinformação e desmobilização das famílias. O sarampo, que por anos foi considerado erradicado no Brasil, retorna como uma ameaça silenciosa, alimentada por negligência e má gestão de políticas públicas anteriores.

Somente no primeiro semestre de 2025, mais de 7 mil casos foram registrados nas Américas, número 29 vezes superior ao do mesmo período de 2024. Uma tragédia anunciada, facilitada pela queda na imunização básica.

Estado se mobiliza, mas população precisa reagir

Com a emergência em vigor, o Estado poderá:

  • Intensificar campanhas de vacinação;
  • Agilizar a compra de insumos e vacinas;
  • Enviar equipes para áreas de risco;
  • Ampliar a vigilância epidemiológica.

A vacina contra o sarampo segue disponível nas unidades básicas de saúde e é gratuita. A Sesacre alerta: é fundamental que a caderneta de vacinação esteja em dia, especialmente para aqueles nascidos entre 1995 e 2015.

Além da imunização, o governo também promete atuar no combate à desinformação e ao pânico — dois fenômenos que crescem nas redes sociais e dificultam o engajamento da população em ações preventivas.

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A política pública precisa de responsabilidade, não de improviso

O decreto de emergência no Acre é uma decisão prudente, mas que expõe os efeitos de uma cultura estatal de abandono da vacinação regular ao longo dos últimos governos federais e municipais. A falta de prioridade em campanhas educativas, o corte de investimentos e o descrédito crescente em instituições de saúde contribuíram para esse cenário.

Se não houver uma mobilização urgente de todos os entes federativos, com apoio da sociedade civil, o sarampo poderá retornar com força, deixando um rastro de dor, internações e mortes que poderiam ser evitadas com uma simples picada no braço.

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Com informações da Agência de Notícias do Acre

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