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SAÚDENova diretriz global liderada por brasileira redefine tratamento da puberdade precoce

Documento internacional prioriza observação e reduz exames e tratamentos desnecessários em crianças.

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Uma nova diretriz internacional, elaborada sob a liderança de uma cientista brasileira, traz mudanças significativas no diagnóstico e no tratamento da puberdade precoce central (PPC). O documento, publicado pela Sociedade de Endocrinologia, busca evitar intervenções médicas excessivas e promover uma abordagem mais individualizada.

A publicação saiu na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, uma das mais respeitadas do mundo, e foi tema de um editorial no início deste mês.

A puberdade precoce central é caracterizada pelo início da maturação sexual antes da idade considerada normal, geralmente antes dos oito anos em meninas e dos nove anos em meninos. Essa condição pode trazer impactos físicos e emocionais, exigindo atenção especializada.

A nova diretriz atualiza o último consenso, que datava de mais de 15 anos, e propõe quatro mudanças essenciais para a prática clínica. A primeira delas é a priorização da observação antes de qualquer intervenção. Em muitos casos, o acompanhamento clínico regular substitui a realização imediata de exames laboratoriais ou de imagem.

Para meninas que estão no limite da faixa etária, por exemplo, a recomendação é que os médicos adotem a chamada “observação vigilante”, com consultas a cada quatro a seis meses, em vez de partirem diretamente para testes. Essa medida visa reduzir a medicalização desnecessária e o estresse para a criança e a família.

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Outra mudança importante é a preferência pelo exame de LH basal, um teste ultrassensível que mede o hormônio luteinizante. Com essa orientação, a necessidade de testes de estímulo hormonal, que são mais complexos e invasivos, diminui drasticamente.

Além disso, a diretriz recomenda que exames de imagem, como ressonância magnética cerebral, e testes genéticos sejam reservados apenas para casos com indicações clínicas específicas, como suspeita de lesões no sistema nervoso ou síndromes genéticas. Essa medida evita procedimentos caros e desnecessários.

No que diz respeito ao tratamento hormonal, ele deixa de ser uma via padronizada. A nova abordagem exige que médicos, pacientes e familiares discutam juntos os potenciais benefícios, riscos e impactos de cada terapia, levando em conta as particularidades de cada caso.

A grande inovação da diretriz é o reconhecimento de que nem toda criança com puberdade precoce evolui da mesma forma. Essa visão mais personalizada foi elogiada no editorial da The Lancet, cuja autora, a endocrinologista britânica Sasha Howard, resumiu a nova filosofia no título: “menos pode ser mais”.

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Por trás dessa transformação está a professora Ana Claudia Latronico, titular de Endocrinologia e Metabologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Ela liderou a elaboração do documento, que reuniu especialistas de vários países.

Segundo Latronico, a diretriz “propõe uma abordagem mais individualizada, baseada em evidências, permitindo indicar exames e tratamentos apenas para quem se beneficiará deles”. Ela destaca que essa é uma mudança importante para a prática clínica e para a qualidade do cuidado aos pacientes.

A pesquisadora também comemorou o destaque na The Lancet, considerando uma vitória para a ciência brasileira. Ela ressalta que a produção acadêmica do país está cada vez mais alinhada aos desafios globais, influenciando diretrizes que orientarão tratamentos pediátricos em todo o mundo.

O estudo completo está disponível para leitura, e a tendência é que a nova abordagem reduza procedimentos desnecessários, tornando o tratamento mais humano e eficiente para crianças e adolescentes.

Fonte: ND+

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