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AVANÇOBactérias geneticamente modificadas podem melhorar tratamento do câncer

Pesquisadores modificam bactéria anaeróbica para atacar tumores de forma mais eficaz, superando limitações de oxigênio.

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Cientistas estão explorando uma abordagem inovadora no combate ao câncer: utilizar bactérias modificadas geneticamente para atacar tumores sem prejudicar células saudáveis. A estratégia aproveita a capacidade de algumas bactérias anaeróbicas de sobreviver em ambientes com baixo oxigênio, como os encontrados no interior de tumores sólidos.

Os tumores cancerosos crescem rapidamente e desenvolvem um suprimento sanguíneo anormal, criando regiões com pouco oxigênio. Esse ambiente é ideal para bactérias que não toleram oxigênio, conhecidas como anaeróbicas estritas. Enquanto essas bactérias não conseguem infectar tecidos saudáveis bem oxigenados, elas podem colonizar tumores e causar infecções localizadas.

Historicamente, relatos de regressão tumoral após infecções bacterianas remontam a milênios. No século XX, o médico William Coley documentou casos de pacientes cujos tumores regrediram após infecções graves. Ele desenvolveu um tratamento com bactérias aquecidas, chamado de toxinas de Coley, que estimulava o sistema imunológico — um precursor da imunoterapia moderna. Apesar de resultados parciais, a abordagem perdeu espaço para cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Ensaios clínicos realizados em meados do século XX testaram esporos da bactéria Clostridium sporogenes, uma espécie não patogênica encontrada no solo. Em camundongos, os esporos permaneciam inativos em tecidos saudáveis, mas germinavam e cresciam nos tumores. Em humanos, houve regressão tumoral, mas de curta duração, pois as bactérias não conseguiam atingir a borda externa do tumor, que é mais oxigenada.

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Com os avanços da engenharia genética e da biologia sintética, pesquisadores agora buscam superar essa limitação. Brian Ingalls, da Universidade de Waterloo, e colegas modificaram geneticamente a C. sporogenes para torná-la mais tolerante ao oxigênio. A modificação permite que a bactéria penetre mais profundamente nos tecidos tumorais, incluindo as bordas externas.

Além disso, introduziram um sistema de controle chamado quorum sensing, que ativa a tolerância ao oxigênio apenas quando as bactérias atingem uma densidade populacional mínima no tumor. Isso garante que a modificação seja ativada apenas no local desejado.

O sistema pode ser expandido para controlar outras funções, como liberação de medicamentos ou ativação do sistema imune. A pesquisa, ainda em estágio inicial, representa um passo em direção a bioterapêuticos vivos mais eficazes contra o câncer.

Um dos principais desafios das terapias anticâncer atuais é a falta de especificidade. Cirurgia e radiação podem danificar tecidos saudáveis próximos, enquanto a quimioterapia ataca células de rápida divisão, causando efeitos colaterais como queda de cabelo e problemas gastrointestinais.

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As bactérias anaeróbicas oferecem uma alternativa promissora por sua capacidade natural de atingir tumores. No entanto, a C. sporogenes nativa não consegue erradicar tumores por completo, deixando bordas intactas que permitem o crescimento contínuo.

A modificação genética visa aumentar a eficácia sem comprometer a segurança. Os pesquisadores acreditam que, com o aperfeiçoamento, esse método pode se tornar uma ferramenta valiosa no arsenal contra o câncer.

O estudo foi publicado recentemente e conta com financiamento da MITACS. Os autores não relataram conflitos de interesse.

Fonte: G1

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