O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), por meio do Comitê Permanente de Equidade Racial (Coper), realizou na terça-feira, 23, a roda de conversa intitulada ‘Escuta, Linguagem e Vivências: Refletindo sobre Equidade Racial no Ambiente Institucional’. O encontro ocorreu no Espaço de Convivência do Fórum dos Juizados Especiais Cíveis, localizado na Cidade da Justiça de Rio Branco, e contou com a participação de servidores e membros do comitê.
Durante a abertura, a servidora Elaine Cristina, integrante do Coper e da Divisão de Inclusão e Acessibilidade, lançou a pergunta: ‘Nosso ambiente favorece o pertencimento para todas as pessoas?’. As respostas apontaram para uma mudança na cultura organizacional ao longo do tempo. Décadas atrás, a forma de acolhimento de novos servidores era distinta; hoje, há cerimônias de posse com participação familiar e treinamentos na Escola do Poder Judiciário para ambientação aos fluxos institucionais, o que foi avaliado como fator que fortalece o senso de pertencimento.
Outro questionamento abordou diretamente o preconceito: ‘Você já presenciou situações que, mesmo sem a intenção, poderiam ser percebidas como discriminatórias?’. Os participantes relataram comentários velados, análises de vestimentas, piadas e falas inconvenientes, identificados como manifestações do racismo estrutural ainda presente entre colegas de trabalho. ‘Tem coisas que são ditas e não são recepcionadas como preconceito, por causa da falta do letramento racial’, ponderou uma das participantes. ‘Ainda há discussões sobre o sistema de cotas e a diminuição do mérito da pessoa que entrou por cota’, acrescentou outro servidor. Também foi lembrado que a equidade racial não se restringe à população negra, mas inclui a inserção de indígenas no ambiente institucional.
A atividade se encerrou com reflexões sobre barreiras e silenciamentos. ‘As pessoas que deveriam participar desse tipo de evento, não participam. Aqui estão pessoas negras, do comitê e simpatizantes. Quando vai fazer uma roda de conversa, acham que é besteira’, concluiu um participante. A troca de experiências reforçou o apoio da comissão e a importância dos canais de denúncia. Segundo o TJAC, as ações de promoção da equidade têm se intensificado no Judiciário acreano, em cumprimento ao plano de ação e à campanha com políticas de equidade racial e enfrentamento ao racismo previstas para 2026. A roda de conversa, nesse contexto, funciona como metodologia de diálogo horizontal, promovendo escuta ativa, acolhimento e compartilhamento de vivências.
Fonte: TJ Acre





























