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PRODUÇÃO NO CAMPOColheita da safrinha e cenário externo pressionam preços do milho no Brasil

O mercado brasileiro de milho registra os menores preços do ano com o avanço da segunda safra e a queda na paridade de exportação.

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A colheita da segunda safra de milho está em ritmo acelerado no Brasil, aumentando a oferta do cereal e pressionando as cotações para baixo. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que os preços médios coletados até 18 de junho são os mais baixos do ano em várias regiões produtoras.

O excesso de oferta somado à postura cautelosa dos compradores, que mantêm estoques confortáveis, reduziu o ritmo das negociações no mercado físico. Os consumidores internos preferem esperar o avanço da colheita antes de realizar aquisições mais significativas.

Outro fator que contribui para a pressão baixista é a desvalorização dos preços internacionais do milho. A queda reduz a competitividade das exportações brasileiras e enfraquece a referência para a formação dos preços domésticos.

Produtores com capacidade de armazenagem e sem necessidade imediata de liquidez seguram suas vendas, na expectativa de melhores oportunidades. Essa estratégia, no entanto, não tem sido suficiente para sustentar os preços diante do grande volume sendo colhido.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a semana com movimentação lateral. O mercado acompanha de perto as negociações geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, que podem influenciar o preço do petróleo e, indiretamente, afetar o mercado de grãos.

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Além disso, as condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras norte-americanas mantêm as perspectivas positivas para a safra dos EUA, contribuindo para o cenário de oferta global ampla.

Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros de milho apresentaram ligeira alta no início da semana, com as principais posições sendo negociadas entre R$ 64 e R$ 73 por saca. Esse movimento é visto como técnico, após as recentes quedas no mercado doméstico.

Apesar do leve respiro, o ambiente permanece marcado pela cautela. A entrada de grandes volumes da safrinha deve manter a oferta elevada nas próximas semanas, limitando qualquer recuperação mais expressiva.

Diante do cenário desafiador, consultorias como a TF Agroeconômica recomendam que os produtores adotem estratégias de comercialização mais estruturadas. Concentrar vendas no pico da colheita pode amplificar a pressão sobre os preços.

A orientação é realizar vendas escalonadas, aproveitar eventuais repiques técnicos e utilizar instrumentos de proteção, como contratos futuros e operações de hedge. A armazenagem também é apontada como ferramenta para diluir a oferta ao longo do tempo.

Cooperativas e cerealistas podem intensificar programas de comercialização gradual e apoiar os produtores no uso de instrumentos de gestão de risco. Esse suporte é crucial para evitar a venda em momentos de maior pressão.

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Para os compradores, especialmente indústrias e fábricas de ração, o momento é favorável para aquisições programadas. Com a perspectiva de aumento da disponibilidade, eles podem comprar gradualmente, sem necessidade de alongar estoques.

O cenário também é influenciado por fatores externos, como a menor demanda para produção de etanol nos Estados Unidos, estoques globais confortáveis e a expectativa de grandes safras na América do Sul, que reforçam a tendência de baixa.

Embora o foco atual seja a comercialização da safrinha, o mercado já monitora os impactos climáticos para a próxima temporada. O fenômeno El Niño pode trazer excesso de chuvas no Sul e irregularidade hídrica no Centro-Oeste, com temperaturas elevadas.

Para o milho verão, há preocupação com possíveis atrasos na semeadura. Já para a segunda safra de 2027, eventuais atrasos no plantio da soja podem comprometer a janela de cultivo do cereal.

Analistas afirmam que uma recuperação mais consistente dos preços dependeria de fatores que alterem significativamente a oferta global, como problemas climáticos nos Estados Unidos. Até lá, a tendência é de volatilidade e de gestão cuidadosa da comercialização para preservar margens.

Fonte: Portal do Agronegócio

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