Menu

TRABALHO ESCRAVO 

Marinho intervém em processo e evita inclusão da JBS em “lista suja”

Decisão inédita do ministro do Trabalho causa perplexidade entre auditores e abre debate sobre risco de favorecimento político
Governo Lula intervém em caso de trabalho escravo na JBS e abre precedente inédito. Foto: Ricardo Stuckert/PR

publicidade

⚖️🚨 Marinho intervém em processo e evita inclusão da JBS em “lista suja”

Uma decisão inédita do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, acendeu um alerta sobre possíveis privilégios concedidos a grandes corporações no Brasil. Segundo revelou a agência Reuters, o petista interveio diretamente em um processo que poderia incluir a JBS Aves, unidade do frigorífico JBS no Rio Grande do Sul, no cadastro de empregadores flagrados com trabalhadores em condições análogas à escravidão — a chamada “lista suja”.

A operação federal realizada em 2024 identificou dez trabalhadores submetidos a jornadas de até 16 horas diárias, sem acesso a água potável, alojados em condições precárias e vítimas de descontos ilegais em salários. Embora contratados por uma terceirizada, os auditores responsabilizaram a JBS pela falta de fiscalização de sua cadeia produtiva.

Em agosto, a inclusão da empresa na lista chegou a ser determinada pelos inspetores. Esse cadastro, reconhecido internacionalmente, impede acesso a crédito em bancos públicos e privados, além de gerar forte impacto reputacional.

🏛️ A intervenção política

Leia Também:  IPCA sobe 0,67% em abril e atinge 4,39% em 12 meses, próximo ao teto da meta

No entanto, com base em parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), o ministro Luiz Marinho retirou o caso do fluxo padrão, justificando que a dimensão econômica da JBS poderia provocar “repercussões sistêmicas” no setor de carnes.

A empresa é uma das maiores do mundo, com 158 mil funcionários no Brasil e receita líquida de US$ 2,2 bilhões apenas entre abril e junho de 2025, em sua divisão Seara, que controla a JBS Aves.

😠 Reações de perplexidade

A medida foi duramente criticada por auditores fiscais e especialistas.

Renato Barbedo Futuro, presidente da Associação dos Auditores Fiscais Federais do Trabalho no RS, declarou que a decisão gera “profunda preocupação”.

A professora Livia Miraglia, da UFMG, com mais de 20 anos de pesquisa sobre trabalho escravo, afirmou: “Eu nunca vi nada parecido”.

Críticos alertam que a intervenção abre um precedente perigoso: empresas de grande porte poderiam contornar a fiscalização trabalhista recorrendo diretamente ao ministro, enfraquecendo um dos instrumentos mais eficazes contra o trabalho escravo no país.

Leia Também:  PF prende CEO do Banco Master e expõe rachaduras no sistema financeiro

📝 JBS e governo tentam conter desgaste

Em nota, a JBS informou que rescindiu o contrato com a terceirizada e bloqueou sua atuação, reiterando ter “tolerância zero para violações trabalhistas e de direitos humanos”.

Já o Ministério do Trabalho limitou-se a dizer que o processo “ainda está em análise”.

⚠️ Um risco institucional

A “lista suja” é considerada um dos mecanismos mais respeitados internacionalmente no combate à escravidão contemporânea. Criada em 2003, ela é mantida por força de decisões técnicas, livres de pressões políticas.

Ao intervir, Marinho rompe uma tradição de independência, criando insegurança jurídica e levantando suspeitas de que grandes empresas podem estar acima da lei.

Para o Portal Acre Conservador, o episódio expõe não apenas fragilidades no combate ao trabalho escravo, mas também o perigoso uso político da máquina pública em favor de interesses corporativos, minando a credibilidade das instituições e prejudicando a livre concorrência.

Reportagem | Portal Acre Conservador
*Com informações de Danúzio News

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade