Em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, expressou forte interesse em firmar um acordo de delação premiada, mas alegou que a Polícia Federal (PF) não tem demonstrado disposição para ouvi-lo. A declaração foi dada a um juiz auxiliar do ministro, em audiência realizada no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha, local onde o empresário está detido desde março. A sessão, ocorrida em 27 de agosto, não contou com a presença de representantes da PF, conforme revelou a coluna de Bela Megale.
De acordo com fontes ligadas ao dono do Banco Master, Vorcaro afirmou ter muitas informações a compartilhar, mas encontrou resistência por parte da cúpula da PF em dar andamento às negociações. Ele também teria relatado ter sofrido pressão psicológica durante o período em que esteve custodiado na superintendência da instituição policial.
Procurada, a PF informou que não comentaria o caso. Já os advogados Daniel Bialski e Sergio Leonardo, que representam Vorcaro, disseram que não se manifestariam sobre o assunto.
O gabinete de Mendonça, em nota, esclareceu que o depoimento foi realizado a pedido expresso da defesa do banqueiro. Segundo o comunicado, os advogados solicitaram a oitiva alegando que seu cliente estaria sofrendo graves intimidações e pediram que ele fosse ouvido com urgência. O gabinete também afirmou que não divulgaria o conteúdo da audiência, protegido por sigilo legal.
A nota ressalta ainda que a presença do Ministério Público nesse tipo de audiência é exigência legal e foi cumprida. Em relação à PF, o texto explica que as normas do Conselho Nacional de Justiça estabelecem o afastamento dos agentes responsáveis pela investigação como garantia de segurança física e psicológica do depoente. Como o depoimento foi motivado por alegações de intimidações, a não convocação dos policiais seguiu essa diretriz de proteção, e não uma escolha por conveniência do gabinete.
No dia seguinte à audiência no gabinete de Mendonça, em 28 de agosto, Vorcaro prestou depoimento à PF por videoconferência, que durou cerca de quatro horas. Na ocasião, ele foi questionado sobre o inquérito que apura suposto pagamento de propina a ex-diretores do Banco Central para evitar a liquidação do Master. O banqueiro negou ter pago qualquer vantagem indevida aos ex-servidores.
Durante essa oitiva, os advogados de Vorcaro também sinalizaram o interesse do cliente em apresentar uma terceira proposta de colaboração premiada. As duas tentativas anteriores foram rejeitadas tanto pela PF quanto pela Procuradoria-Geral da República.
Os investigadores justificaram que os anexos entregues pela defesa não acrescentavam elementos novos às apurações nem ofereciam meios de prova capazes de corroborar as narrativas apresentadas.
O gabinete de Mendonça informou ainda que o ministro Alexandre de Moraes não foi mencionado durante a audiência com Vorcaro na última quinta-feira.
Nesta terça-feira, Mendonça levantou o sigilo de um relatório de 218 páginas produzido pela PF, no qual constam pelo menos 28 mensagens enviadas pelo banqueiro a Moraes. Nas conversas, Vorcaro pedia conselhos e ajuda ao ministro para tentar ‘desarmar’ ou ‘bloquear’ as investigações contra ele.
Fonte: O GLOBO




























