O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se, fora da agenda oficial, com o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), no Palácio do Planalto. O encontro ocorreu na tarde de terça-feira, 1º de abril, e integra uma série de conversas com magistrados para avaliar os desdobramentos da crise que abalou a Corte.
O movimento de Lula acontece após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que revela trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O documento, que teve o sigilo retirado pelo relator do caso, André Mendonça, expõe a proximidade entre os dois e gerou forte reação no meio político e jurídico.
Em um dos diálogos, Vorcaro expressa gratidão a Moraes, chegando a afirmar que tinha “gratidão da minha vida” ao magistrado. Em outro trecho, o ex-banqueiro consulta o ministro sobre a possibilidade de deixar o país, dois dias antes de ter a prisão decretada. A Polícia Federal não conseguiu recuperar as respostas de Moraes.
A crise escancarou divergências internas no STF. Ministros relataram uma conversa tensa entre Moraes e Mendonça, classificada como direta e ríspida. Parte dos integrantes da Corte acusa Mendonça de agir com motivações políticas ao retirar o sigilo do processo, enquanto aliados do relator negam e defendem a legalidade de seu ato.
Mendonça já sinalizou que o caso deve ser analisado no plenário do STF, em sessão pública, independentemente do posicionamento da Procuradoria-Geral da República. A avaliação é de que o caminho natural é o julgamento colegiado.
Nos bastidores, ministros do STF cobram uma postura mais firme do governo em defesa da instituição. Há queixas sobre a ausência de uma reação contundente do Executivo diante do desgaste público gerado pelo vazamento.
Lula também conversou com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, no Palácio da Alvorada. Na ocasião, foi discutida uma possível solução institucional para o impasse. Fachin, em nota, reforçou a necessidade de serenidade e responsabilidade no trato do caso.
O Palácio do Planalto e a assessoria de Gilmar Mendes não comentaram o conteúdo da reunião. A expectativa é que novos encontros ocorram nos próximos dias para tentar conter os efeitos da crise.
Paralelamente, a coordenação da campanha de reeleição de Lula defendeu, em nota, mudanças no sistema político e judicial, sem citar nomes específicos. O episódio já é visto como um dos maiores desafios para a imagem do STF nos últimos anos.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a situação pode gerar um desgaste prolongado para as instituições, caso não haja uma mediação eficaz. A oposição, por sua vez, utiliza o caso para criticar o governo e o tribunal.
Até o momento, Alexandre de Moraes não se manifestou publicamente sobre as mensagens. O ministro já foi alvo de dezenas de pedidos de impeachment no Senado, a maioria arquivada.
A reunião de Lula com Gilmar Mendes é vista como uma tentativa de articular uma saída negociada, que possa preservar a autoridade do STF e evitar um aprofundamento da instabilidade política.
Nos bastidores, comenta-se que a relação entre Moraes e Mendonça está estremecida, o que pode dificultar a votação no plenário. Aliados defendem que o caso seja tratado com imparcialidade e sem interferências externas.
O governo, por ora, adota cautela. A orientação é aguardar os próximos capítulos da investigação e avaliar as repercussões jurídicas e políticas antes de tomar qualquer medida mais incisiva.
Fonte: ND+




























