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NEGÓCIOSVolkswagen corta 50 mil vagas e anuncia perdas de R$ 60 bilhões

Montadora alemã alerta para prejuízo extraordinário de € 10 bilhões e revisa projeções de lucro para 2026.

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A Volkswagen, principal montadora da Europa, divulgou nesta sexta-feira (18) um comunicado no qual revisa para baixo suas expectativas de lucro e revela custos excepcionais que somam € 10 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 60 bilhões. A informação foi divulgada inicialmente pela agência de notícias Reuters.

Esse anúncio ocorre duas semanas depois de a empresa ter aprovado um amplo plano de reestruturação, que inclui a supressão de 50 mil postos de trabalho, a simplificação de sua estrutura organizacional e a possibilidade de encerrar operações de fábricas na Europa.

A crise enfrentada pela gigante alemã tem múltiplas causas, entre as quais se destacam a queda acentuada nas vendas no mercado chinês, a incidência de tarifas de importação nos Estados Unidos e a rentabilidade reduzida durante o processo de transição para veículos elétricos.

Do total de encargos anunciados, cerca de € 6 bilhões decorrem de ajustes nas projeções de médio prazo para a Porsche, marca de esportivos controlada em 75% pelo Grupo Volkswagen. No último ano, a Porsche apresentou uma margem de lucro de apenas 1,1%, pressionada pelas tarifas norte-americanas e pela retração na procura por automóveis de luxo importados na China.

Em documento interno obtido pela Reuters, o diretor financeiro da Volkswagen, Arno Antlitz, dirigiu-se aos funcionários para enfatizar a gravidade do momento. “Não temos tempo a perder”, afirmou, mencionando a contração de 20% nas vendas na China, o avanço de concorrentes asiáticos na Europa e o crescimento da participação de veículos elétricos a bateria, cujas margens são mais estreitas. “Não há indícios de estabilização. Não podemos fugir dessa tendência.”

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Como consequência, a Volkswagen, que também controla Audi, Skoda e Seat, reduziu de forma drástica suas estimativas financeiras para os próximos anos. A projeção de margem de lucro para 2026 foi fixada em no máximo 1%, enquanto a previsão anterior oscilava entre 4,0% e 5,5%.

Analistas de mercado esperavam, em média, uma margem de 4,1%, o que evidencia o tamanho do alerta emitido pela companhia.

No mercado financeiro, a repercussão foi imediata: as ações da Volkswagen recuaram 5,6%, enquanto os papéis da Porsche caíram 3,3% e os da Porsche SE registraram baixa de 4,9%.

Além disso, a Volkswagen perdeu, em 2024, a liderança no mercado chinês, superada por montadoras locais que aceleraram a produção de veículos elétricos. O relatório da empresa aponta para uma “deterioração ainda maior do ambiente de mercado, especialmente na China, bem como para uma mudança acelerada na demanda em favor de veículos elétricos a bateria”.

Essa combinação de fatores tende a reduzir ainda mais os resultados de suas principais marcas de automóveis de passeio, como Audi e a própria Volkswagen, forçando o grupo a adotar medidas severas de corte de custos em escala global.

A empresa aprovou um acordo de transformação que prevê o fechamento de 50 mil postos de trabalho, além da reestruturação operacional e do possível encerramento de fábricas.

Os custos extraordinários e encargos de imparidade anunciados somam € 10 bilhões, dos quais € 6 bilhões estão relacionados à marca Porsche.

A queda nas vendas na China é explicada pela forte concorrência de marcas locais, pela retração de 20% na demanda e pela rápida migração do consumidor chinês para veículos elétricos.

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Em meio a esse cenário, a Volkswagen enfrenta pressão de sindicatos e acionistas para promover uma reestruturação profunda, enquanto busca simplificar estruturas para preservar sua competitividade internacional.

O conselho da empresa aprovou o chamado Plano do Futuro 2030, que contempla a redução do portfólio de veículos, o corte de 50 mil vagas e investimentos de centenas de bilhões de euros.

Durante pronunciamentos internos, o CEO Oliver Blume justificou as medidas com base em um cenário de mercado sem precedentes e altamente volátil.

A crise da Volkswagen também é influenciada pela capacidade ociosa de suas fábricas, que deve cair para 73% até o fim da década, segundo projeções.

O plano de reestruturação inclui quatro grandes unidades na Alemanha que passaram a integrar o programa de reestruturação, com possibilidade de fechamento definitivo.

Uma das alternativas em análise é a conversão da fábrica de Osnabrück para o setor de defesa, como forma de mitigar os efeitos das demissões e fechamentos.

A Volkswagen, que já foi a maior montadora do mundo em vendas, agora lida com a necessidade de se adaptar rapidamente às novas condições do mercado global, marcado pela eletrificação e pela concorrência asiática.

O alerta de lucro divulgado nesta sexta-feira é mais um capítulo da maior reestruturação da história do grupo, que busca garantir sua sobrevivência em um setor cada vez mais desafiador.

Fonte: ND+

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