Menu

O HOMEM QUE ENGANOU O MUNDOSenado pondera acusação de desacato contra Fauci por silêncio em depoimento

Comissão do Senado vota recomendação para processar criminalmente ex-assessor médico por invocar Quinta Emenda durante audiência sobre Covid-19.

publicidade

O Senado dos Estados Unidos se prepara para analisar uma recomendação que pode levar ao indiciamento criminal de Anthony Fauci, ex-principal conselheiro médico da Casa Branca, por sua recusa em responder perguntas durante uma audiência sobre a pandemia de Covid-19. O senador republicano Rand Paul, que preside a Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais, protocolou uma resolução para que a comissão recomende o desacato ao Congresso.

A decisão ocorre após Fauci, em depoimento no final de julho, invocar repetidamente a Quinta Emenda da Constituição americana, que protege indivíduos de se autoincriminarem. Ele deixou de responder a quase todas as perguntas dos parlamentares, mesmo aquelas consideradas básicas pelos senadores.

O desacato ao Congresso é um instrumento legal usado quando uma pessoa intimada pela legislatura falha em cumprir obrigações como comparecer a audiências, fornecer documentos ou prestar depoimento. Existem três formas: o desacato criminal, que envolve o Departamento de Justiça; o civil, que busca compelir judicialmente o cumprimento da intimação; e o inerente, que caiu em desuso.

No caso de Fauci, a comissão planeja encaminhar a recomendação ao Departamento de Justiça, que decidirá se há fundamentos para uma acusação formal. A aprovação da comissão, no entanto, não implica automaticamente em processo; o caso ainda passará por etapas internas do Senado e pela análise jurídica do Departamento.

Juristas consultados pela Reuters apontam que a disputa envolve uma complexa interseção entre a autoridade do Congresso e os direitos constitucionais de testemunhas. A questão central é se Fauci poderia legitimamente invocar a Quinta Emenda, especialmente considerando o perdão presidencial preventivo que recebeu do governo Biden antes do fim de seu mandato.

Os republicanos sustentam que o perdão eliminaria qualquer risco de processo criminal, tornando a invocação da Quinta Emenda indevida. Por outro lado, os defensores de Fauci argumentam que o perdão não cobre todos os cenários, como um eventual falso testemunho futuro, e que não há jurisprudência definitiva da Suprema Corte sobre a aplicabilidade da emenda em casos de perdões amplos.

Leia Também:  Europa enfrenta risco de substituição cultural

O depoimento de 29 de julho durou várias horas, mas foi marcado por respostas evasivas. Segundo a Associated Press, Fauci invocou a emenda mais de cem vezes, recusando-se a responder perguntas sobre temas como a origem do vírus, financiamento de pesquisas na China, testes de ganho de função e comunicações com autoridades federais.

A audiência também abordou declarações anteriores de Fauci ao Congresso e documentos internos da época da pandemia. Rand Paul tentou, sem sucesso, obter respostas até para perguntas que ele classificou como triviais, mas Fauci manteve a estratégia de silêncio orientada por seus advogados.

A tensão entre Paul e Fauci vem de longa data, desde os primeiros meses da pandemia. Paul foi um crítico frequente das políticas federais de covid-19, acusando Fauci de minimizar a hipótese de vazamento de laboratório e de mentir ao Congresso sobre financiamento de pesquisas perigosas. Fauci sempre negou tais acusações, alegando ser alvo de ataques políticos sem fundamento.

Dias antes da audiência, Paul divulgou diários pessoais de Fauci, que, segundo veículos como CBS News e Reuters, oferecem bastidores da resposta governamental, mas não apresentam evidências concretas de crimes. A divulgação foi vista como um movimento para pressionar Fauci.

A votação na comissão deve ocorrer ainda esta semana. Se a resolução for aprovada, o próximo passo será o encaminhamento ao plenário do Senado ou diretamente ao Departamento de Justiça, dependendo das regras internas. Especialistas lembram que o Departamento de Justiça pode optar por não processar, mesmo com a recomendação do Congresso.

Leia Também:  Trump exige que postos de gasolina reduzam preços imediatamente

Democratas já se manifestaram contra a medida, classificando-a como uma perseguição política e lembrando que Fauci exerceu um direito constitucional assegurado a qualquer cidadão. Eles argumentam que a Quinta Emenda é um pilar do sistema jurídico americano e não pode ser tratada como prova de culpa.

Republicanos, por outro lado, insistem que é dever do Congresso investigar e que o silêncio de Fauci impede a elucidação de erros e acertos nas decisões tomadas durante a crise sanitária. Eles querem responsabilização e transparência.

O caso pode levar meses ou até anos para se desenrolar. Mesmo se a recomendação for aceita pelo Departamento de Justiça, o processo criminal seria longo e complexo. Fauci, que liderou o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas por décadas, tornou-se uma figura polarizadora no debate público sobre a pandemia.

Especialistas em direito constitucional destacam que a utilização da Quinta Emenda em depoimentos no Congresso é rara, mas não inédita, e costuma gerar controvérsias. A falta de clareza sobre limites e exceções nesse contexto específico adiciona incerteza ao futuro do caso.

Enquanto isso, a opinião pública permanece dividida, com parte da população apoiando a investigação como forma de prestação de contas, enquanto outra vê a iniciativa como mais um capítulo da guerra política que marcou a resposta à pandemia nos EUA.

A sessão da comissão está marcada para os próximos dias, e espera-se que a votação seja acirrada, refletindo a polarização do atual cenário político americano.

Fonte: Jovem Pan

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade