O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais nesta terça-feira (8) para exaltar o desempenho do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) nas eleições estaduais realizadas no último domingo (6) na Saxônia-Anhalt, região situada no leste alemão. Na mensagem, ele interpretou o resultado como um sinal de que a população local estaria insatisfeita com as políticas migratórias adotadas no país.
“Uau! O Partido Populista na Alemanha acaba de ter uma grande noite. Eles se cansaram das regras e regulamentos de imigração absolutamente horríveis que tanto prejudicaram a Alemanha. Eles estão em ascensão e não vão mais aceitar isso!”, escreveu Trump, finalizando a postagem com a expressão “MGGA”, que remete ao seu bordão de campanha, adaptado para o contexto alemão.
O pleito na Saxônia-Anhalt definiu a composição do parlamento estadual, que agora precisará eleger o novo governador. O AfD conquistou a maioria das cadeiras, mas sem alcançar a maioria absoluta, o que obriga a legenda a buscar apoio de outros partidos para viabilizar a candidatura de Ulrich Siegmund, seu líder na região.
Analistas políticos apontam que a formação de um governo liderado pelo AfD enfrenta obstáculos significativos, uma vez que as demais legendas alemãs mantêm um isolamento histórico em relação a partidos considerados extremistas, prática conhecida como “cordão sanitário”. Essa postura, adotada desde o pós-guerra, visa evitar que forças nacionalistas assumam o poder.
Uma alternativa possível seria a abstenção de partidos menores na votação para governador, o que alteraria o cálculo necessário para que Siegmund obtenha os votos suficientes. Caso isso ocorra, o AfD governaria um estado alemão pela primeira vez desde sua fundação, em 2013, o que representaria um marco na trajetória da sigla.
A relação entre o governo americano e o partido alemão já havia sido sinalizada em fevereiro, quando o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, encontrou-se com a líder do AfD, Alice Weidel, em Munique. Na ocasião, Vance criticou a prática do “cordão sanitário”, defendendo que a democracia não deve excluir partidos políticos.
Nas eleições federais alemãs realizadas no mesmo mês, o AfD alcançou a segunda colocação, mas a União Democrata-Cristã (CDU), vencedora do pleito, recusou qualquer aliança com a legenda. O partido do chanceler Friedrich Merz preferiu firmar coalizão com os social-democratas, que ficaram em terceiro lugar, para formar o governo federal.
Fonte: Gazeta do Povo



























