Levantamentos de opinião pública divulgados ao longo desta semana indicam que o ex-presidente Lula (PT) deixou de sustentar a dianteira que já havia apresentado em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em simulações de segundo turno para a eleição presidencial de 2026. Os números mais recentes mostram que os dois aparecem em situação de empate técnico ou até com leve vantagem numérica para o parlamentar fluminense.
Quatro institutos diferentes — Quaest, Nexus/BTG Pactual, Meio/Ideia e AtlasIntel — traçaram cenários bastante semelhantes ao testar um confronto direto entre os dois nomes. Em todos eles, ou os candidatos aparecem rigorosamente igualados, ou Flávio surge numericamente à frente, ainda que dentro da margem de erro.
Na pesquisa Quaest, os dois aparecem com 41% das intenções de voto cada um. Já o levantamento do Nexus/BTG Pactual aponta 46% para Flávio e 45% para Lula. O instituto Meio/Ideia registra 46% para cada lado. A AtlasIntel mostra o senador com 46,4% contra 46,2% do petista.
Esse quadro de equilíbrio vem se configurando desde julho, logo após o período mais delicado enfrentado pelo candidato do PL, quando ele ficou sob forte escrutínio público depois do vazamento de um áudio no qual pedia recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nos meses de maio e junho, Lula chegava a abrir uma diferença de 5 a 8 pontos percentuais sobre Flávio nas simulações de segundo turno. Antes da polêmica envolvendo o banqueiro, o senador já vinha bem posicionado nas pesquisas, tendo inclusive ficado numericamente à frente do petista entre março e o início de maio.
Desde julho, o que os levantamentos revelam é uma trajetória ascendente do senador fluminense, enquanto a curva do atual presidente aponta para baixo. Em setembro, em meio à crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF), Lula aparece encurralado em um eventual confronto direto com o filho de Jair Bolsonaro.
O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas coincide com a queda na aprovação do governo Lula, que atravessa um dos momentos mais difíceis do ano. Segundo os levantamentos da AtlasIntel, da Nexus/BTG Pactual e da Quaest, a aprovação do petista está no patamar mais baixo de 2026.
Pela AtlasIntel, a aprovação é de 43,7%, o pior índice do ano. A Nexus/BTG Pactual registra 45%, também o pior resultado anual. O instituto Meio/Ideia aponta 46,5%, superando apenas os números de abril e maio. Já a Quaest indica 43%, o menor patamar e equivalente ao registrado em abril.
De acordo com a Quaest, a aprovação de Lula vem recuando no Sudeste, no Centro-Oeste e até no Nordeste, região que historicamente funciona como reduto eleitoral do petista. Apenas no Sul o índice se mantém estável, embora seja o mais baixo entre todas as regiões, com 35%.
No Sudeste, entre julho e setembro, a aprovação do presidente caiu 8 pontos percentuais. No Centro-Oeste e na região Norte, a queda foi de 6 pontos percentuais. No Nordeste, o índice estava em 66% no início de agosto e recuou para 60%.
Outro recorte que evidencia a perda de apoio é o etário. Entre os eleitores mais jovens, de 16 a 34 anos, o recuo foi de 10 pontos percentuais em menos de dois meses. Na faixa de 35 a 59 anos, a queda foi de 4 pontos percentuais no mesmo período. Apenas entre os eleitores com 60 anos ou mais Lula mantém o mesmo patamar.
As pesquisas citadas foram registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A AtlasIntel ouviu 5.000 pessoas por formulário eletrônico entre 4 e 9 de setembro, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95% (registro BR-01452/2026). O instituto Meio/Ideia entrevistou 1.500 pessoas entre 4 e 7 de setembro, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e confiança de 95% (BR-07935/2026).
A Nexus/BTG Pactual consultou 2.002 entrevistados entre 4 e 7 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e confiança de 95% (BR-06790/2026). Já a Quaest ouviu 2.004 pessoas entre 3 e 6 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95% (BR-01720/2026).
Fonte: Gazeta do Povo





























