Menu

⚖️ MANDATOS EM XEQUE

CCJ mantém mandato de Zambelli

Relator vota pela manutenção; deputada está presa na Itália e defesa diz que decisão reforça tese de perseguição — contraste com a ordem de Moraes sobre Ramagem
Relator de caso Zambelli decide manter mandato de deputada: "Indícios de perseguição política". Foto: Lula Marques/Agência Brasil.

publicidade

🇮🇹 Relator recomenda salvar o mandato — a leitura da defesa

O relator do processo que avalia a perda do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP) apresentou parecer pela manutenção do mandato — uma decisão que a defesa da parlamentar comemorou como vitória tática e prova de que o caso tem contornos políticos e processuais controversos. O parecer, levado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), assinalou lacunas probatórias e apontou indícios de perseguição, fato destacado pela equipe de defesa como elemento central para barrar a cassação.

Para os advogados de Zambelli, a recomendação formal da CCJ representa dois efeitos imediatos: (1) dá ao parlamentar uma proteção institucional temporária, evitando que a perda de mandato seja declarada de pronto; e (2) amplia o espaço jurídico e político para a apresentação de recursos e argumentos — inclusive no exterior, onde a deputada aguarda procedimentos de extradição. Advogado que acompanha o caso já havia afirmado publicamente que os pares na Câmara podem pesar o “contrapoder” entre a decisão judicial e a soberania do Legislativo antes de declarar qualquer perda de cargo.

🧭 Zambelli na Itália: o que a manutenção do mandato significa na prática

A deputada está detida em Roma, onde tramita pedido de extradição solicitado pelas autoridades brasileiras. A condição de estar no exterior dá à defesa, na avaliação jurídica, tempo e instrumentos para tentar postergar ou minimizar os efeitos imediatos da condenação no Brasil — entre eles a condução de recursos e eventual alegação de perseguição política nas cortes italianas, tese que costuma ser examinada com critério pelas autoridades de extradição. Reportagens internacionais confirmaram que Zambelli está presa na Itália enquanto o processo segue.

Na prática, porém, a manutenção formal do mandato não reabilita a deputada ao exercício pleno da função: enquanto estiver presa e sem condições de retorno, ela não participa de votações e suas atividades parlamentares ficam inviabilizadas. Ainda assim, do ponto de vista político e jurídico, manter o registro formal de parlamentar é uma diferença crucial: preserva prerrogativas, direitos e cria entraves práticos para medidas automáticas de perda do cargo sem ampla deliberação da Câmara.

⚖️ A estratégia da defesa: técnica jurídica e exposição política

Os defensores de Zambelli têm combinado teses processuais (nulidades, ausência de prova plena no âmbito parlamentar e direito ao duplo grau de jurisdição) com argumentos políticos (perseguição judicial e seletividade). Segundo relatos, a defesa já protocolou peças na CCJ e tem trabalhado para demonstrar inconsistências formais nas decisões que levaram à condenação no STF — tática que, em parte, explica o parecer do relator pela preservação do mandato.

Leia Também:  Pesquisa Vox Brasil indica vitória de Tarcísio de Freitas já no 1º turno em SP

Os riscos, no entanto, permanecem: se a justiça italiana autorizar a extradição e Zambelli for trazida ao Brasil para cumprir pena, o caminho para a declaração de perda de mandato se tornará muito mais curto — e o plenário da Câmara terá forte pressão política para cumprir decisões judiciais. Até lá, a manutenção do mandato é um elemento de resistência política e jurídica.

🔁 O caso Ramagem — a face oposta: ordem direta do STF e oportunidade de execução

O episódio do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) contrasta com o tratamento dado a Zambelli. Após condenação penal com trânsito em julgado, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Presidência da Câmara seja comunicada sobre a perda do mandato do parlamentar e pediu a declaração formal da Mesa da Casa. Ramagem está no exterior — e a ordem do STF incluiu também a expedição de mandado de prisão.

Fontes mostram que, diferentemente de Zambelli — cujo processo ainda passa por avaliação técnica da CCJ com pedido de vistas e questões probatórias — o caso de Ramagem seguiu o rito que costuma levar à execução imediata da pena: trânsito em julgado, comunicação ao Legislativo e determinação judicial para que a Mesa proceda à declaração de perda do mandato. A imprensa política tem noticiado que a Câmara admite avaliar o ofício, mas pode postergar formalidades administrativas; porém, a fundamentação jurídica da ordem de Moraes é direta e mais difícil de contestar em sede interna.

🏛️ Comparação prática: por que os desfechos são diferentes?

Alguns fatores explicam as diferenças de tratamento entre os dois casos:

Fase processual: Ramagem teve processo com trânsito em julgado e execução de pena já determinada; no caso de Zambelli, embora haja condenações, ainda há procedimentos e recursos em trâmite, e a CCJ pediu exame técnico antes de propor a cassação formal.

Atuação parlamentar e articulação política: Zambelli conta com mobilização de bancada e defesa que busca explorar garantias regimentais e constitucionais; Ramagem, ao ser visto no exterior e constando como foragido, está em situação que facilita o cumprimento imediato das decisões judiciais.

Leia Também:  STF perde credibilidade, afirma Márcio Bittar

Prática institucional: o presidente da Câmara e a Mesa têm margem para atos administrativos (declaração de perda) e também para postergar formalizações, o que cria espaço para disputas políticas sobre o tempo e a forma de execução das decisões judiciais.

🔍 O que vem pela frente — cenários e riscos

Para Zambelli, os cenários imediatos são dois: (1) a Câmara acata o parecer da CCJ, aguarda documentação complementar do STF e só então eventual votação de perda de mandato em plenário; ou (2) a Itália aprova a extradição, o que encurta prazos e aumenta a probabilidade de execução da pena e subsequente declaração de perda de mandato. Em ambos os cenários, a defesa seguirá apresentando recursos e alegando nulidades e perseguição política enquanto possível.

Para Ramagem, a tendência é que a comunicação do STF à Câmara seja seguida de ato formal da Mesa declarando a perda do mandato, embora a Casa possa, por motivos regimentais ou políticos, tentar postergar prazos ou adotar entendimento técnico sobre o exercício do mandato à distância. Ainda assim, a ordem judicial tem força e probabilidade maior de execução em curto prazo.

📣 Defesa, política e a estratégia do tempo

Sob a ótica do advogado de Carla Zambelli, a decisão do relator e a manutenção temporária do mandato na CCJ representam vitória tática: mantêm direitos e prerrogativas formais, ampliam espaço para recursos e tensionam a narrativa de execução automática de penas. Contudo, a realidade prática — extradição, condenação transitada e pressão política — pode reduzir rapidamente essa margem.

O contraste com o caso de Alexandre Ramagem expõe como a combinação de trânsito em julgado, fuga ao exterior e decisão direta do STF tende a produzir desfechos mais rápidos e executórios do que processos que ainda passam por análises técnicas internas do Legislativo. A disputa entre Judiciário e Parlamento continua sendo o palco onde se definem os prazos e o destino dos mandatos.

Reportagem | Portal Acre Conservador
*Com informações de Metrópoles / El País / Portal da Câmara dos Deputados / Agência Brasil / Poder360 / CNN Brasil / Gazeta do Povo.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade