O Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer, a partir desta semana, 100 mil teleatendimentos por mês para pessoas com dependência de apostas esportivas, as chamadas bets. A iniciativa faz parte da expansão da Rede de Saúde Mental e garante suporte psicológico gratuito por meio do aplicativo Meu SUS Digital, em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
O serviço funciona de forma totalmente remota e sigilosa, servindo como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O usuário deve acessar o aplicativo com sua conta Gov.br, localizar a área de saúde mental e responder a um autoteste que identifica sinais de risco.
Se a avaliação indicar necessidade de acompanhamento, o cidadão é encaminhado para a triagem da AgSUS, que agenda videochamadas semanais com psicólogos e enfermeiros especializados. O ciclo inicial prevê até dez sessões de 50 minutos cada.
Essa ampliação representa um salto de escala sem precedentes na saúde digital do país. No lançamento do projeto, em março, eram oferecidas cerca de 600 consultas mensais. Agora, o número cresceu mais de 160 vezes.
O aumento da demanda reflete o crescimento exponencial de famílias em busca de ajuda. A modalidade virtual elimina a necessidade de deslocamento inicial e contorna a vergonha ou o medo de julgamento, obstáculos comuns que impedem muitos apostadores de procurar tratamento presencial.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância do acolhimento sem exposição. Segundo ele, muitas pessoas não buscam ajuda por vergonha ou estigma, e o autoteste e o teleatendimento permitem que identifiquem os riscos e façam o acompanhamento de forma mais confortável, em casa, pelo celular.
Os sintomas da dependência em apostas incluem a perda progressiva de controle sobre o impulso de jogar e o uso das apostas como válvula de escape para frustrações e estresse. Profissionais de saúde alertam também para ansiedade na ausência do jogo, alterações no sono e no humor, e o comprometimento de recursos essenciais do orçamento familiar para tentar recuperar perdas.
Para apoiar os familiares, o Ministério da Saúde lançou uma cartilha com orientações sobre como identificar precocemente os sinais de risco antes que o endividamento se torne crítico. O material reforça a importância da rede de apoio no processo de recuperação.
Caso as dez sessões de teleatendimento não sejam suficientes, o paciente é encaminhado aos serviços presenciais da RAPS, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) existentes nos municípios.
Paralelamente, o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas registrou mais de 1 milhão de pedidos de autoexclusão na plataforma gerida pelo Ministério da Fazenda, que bloqueia o acesso a sites autorizados de apostas. Desses, 35% citam a perda total de controle e 11,8% mencionam o comprometimento das finanças pessoais.
Durante a Copa do Mundo, entre junho e julho, mais de 387 mil brasileiros solicitaram o bloqueio voluntário do CPF, o que representou 38% de todos os pedidos já feitos no sistema nacional. Esse número reflete o pico de endividamento familiar associado a grandes eventos esportivos.
Com a nova capacidade, o SUS espera atender à crescente demanda e oferecer suporte adequado a quem precisa superar a dependência de apostas, unindo tecnologia, saúde mental e prevenção.
Fonte: NSC Total































