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SAÚDE DA MULHERFezolinetanto: como funciona o novo remédio não hormonal para fogachos

Medicamento sem hormônios reduz ondas de calor e é opção para mulheres com diabetes.

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Cerca de 80% das mulheres que passam pela menopausa enfrentam ondas de calor, e em muitas delas o sintoma é tão forte que prejudica o sono, o trabalho e a vida social. No caso de mulheres com diabetes, o impacto é ainda mais severo, já que noites mal dormidas podem piorar o controle glicêmico, aumentar a fadiga e reduzir a vontade de se exercitar.

Por décadas, a terapia hormonal foi o tratamento mais eficaz para aliviar os fogachos, mas nem todas as pacientes podem usá-la. Mulheres que tiveram câncer de mama, trombose, doenças hepáticas ou certos problemas cardiovasculares costumam precisar de alternativas sem hormônios. É nesse contexto que surge o fezolinetanto, um comprimido diário da farmacêutica Astellas que age de maneira inovadora e promete ser uma das grandes novidades no cuidado com a menopausa.

A pílula não contém hormônios e atua por um mecanismo distinto. Na menopausa, a queda do estrogênio deixa hiperativos os neurônios do hipotálamo, a região cerebral que regula a temperatura corporal. Essas células usam a substância neurocinina B para enviar sinais que provocam as ondas de calor. O fezolinetanto bloqueia seletivamente o receptor NK3, reduzindo essa atividade exagerada e restaurando o equilíbrio do centro termorregulador.

Com isso, há uma queda considerável na frequência e na intensidade dos fogachos, sem a necessidade de reposição hormonal.

Uma dúvida frequente entre especialistas era se o medicamento funcionaria igualmente bem em mulheres diabéticas, que tendem a ter sintomas mais acentuados na menopausa. Uma análise específica dos estudos internacionais SKYLIGHT 1 e SKYLIGHT 2 comparou mulheres com e sem a doença e trouxe um resultado tranquilizador: a eficácia foi semelhante nos dois grupos.

Antes do tratamento, as participantes registravam, em média, de 11 a 12 ondas de calor moderadas a intensas diariamente. Após 12 semanas usando fezolinetanto, houve uma queda de 7 a 8 episódios por dia. No grupo que recebeu placebo, a redução foi menor, de 5 a 6 episódios diários. Na prática, muitas mulheres que tinham cerca de 12 episódios por dia passaram a ter apenas 3 ou 4.

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Além de diminuir a quantidade de fogachos, o remédio também atenuou a intensidade dos sintomas, e os efeitos já apareceram nas primeiras semanas. Os estudos ainda apontaram melhora na qualidade do sono, com menos despertares noturnos, e uma evolução positiva na qualidade de vida das pacientes.

Em relação à segurança, os dados disponíveis são animadores. Nos ensaios clínicos, cerca de 37% das mulheres que tomaram fezolinetanto relataram algum evento adverso, um índice muito próximo ao do grupo placebo, que foi de 36%.

Os efeitos colaterais mais comuns foram dor de cabeça (aproximadamente 8%), dor abdominal (4%), diarreia (3%), insônia (3%) e dor lombar (3%).

O principal ponto de atenção não foi cardiovascular, mas sim hepático. Entre 2% e 3% das pacientes apresentaram elevação das enzimas do fígado, geralmente sem sintomas e reversível com a suspensão do medicamento. Por isso, a recomendação é fazer exames de função hepática antes de começar o tratamento e repeti-los nos primeiros meses.

No que diz respeito ao coração, ainda não existem estudos desenhados especificamente para avaliar a segurança cardiovascular do fezolinetanto em mulheres com infarto, AVC ou doença cardiovascular já estabelecida. Os dados atuais, no entanto, são encorajadores: o medicamento não prolongou o intervalo QT, uma alteração elétrica que pode favorecer arritmias, e não houve sinais relevantes de aumento de eventos cardiovasculares durante os ensaios.

Mas é preciso cautela na interpretação desses números. Mulheres com hipertensão descontrolada, doença cardiovascular recente ou quadros clínicos mais graves foram pouco representadas ou excluídas de parte dos estudos. Portanto, ainda não é possível afirmar com segurança qual seria o perfil do remédio em pacientes que já sofreram infarto, AVC ou têm doença cardiovascular avançada.

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Por outro lado, justamente por não ser hormonal, o fezolinetanto se apresenta como uma alternativa interessante para mulheres em que a terapia hormonal é contraindicada ou inadequada. Nesses casos, a decisão deve ser individualizada e compartilhada entre a paciente e o médico.

Um aspecto adicional que tranquiliza é que o medicamento não demonstrou piorar o controle glicêmico nem aumentar significativamente os episódios de hiperglicemia. Nas análises específicas, as mulheres com diabetes tiveram eficácia e tolerabilidade muito parecidas com as das mulheres sem diabetes.

Vale destacar, porém, que o fezolinetanto não trata o diabetes: ele não reduz a hemoglobina glicada, não promove perda de peso e não substitui os medicamentos antidiabéticos. Seu papel é controlar os sintomas vasomotores da menopausa.

O fezolinetanto representa uma virada importante no tratamento dos fogachos. Pela primeira vez, as mulheres têm à disposição uma terapia eficaz com mecanismo totalmente diferente da reposição hormonal. Para aquelas com diabetes, os resultados são particularmente animadores, com eficácia semelhante à da população geral, perfil de segurança favorável e nenhum sinal de piora no controle glicêmico.

Ainda faltam estudos específicos em mulheres com doença cardiovascular estabelecida, sobretudo as que tiveram infarto, AVC ou hipertensão difícil de controlar. Mesmo assim, com base nas evidências atuais, o fezolinetanto surge como uma das opções não hormonais mais promissoras para tratar um sintoma que, por muito tempo, foi considerado inevitável — quando, na verdade, pode e deve ser tratado.

O medicamento já foi aprovado pela Anvisa e agora aguarda a regulamentação do preço. Em breve, deve estar disponível nas farmácias do país.

Fonte: Veja

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