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PRESIDENCIÁVELAugusto Cury propõe pacto nacional e prioriza saúde e educação

Pré-candidato à Presidência defende fim da polarização e detalha planos para 2026.

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O psiquiatra e escritor Augusto Cury, pré-candidato à Presidência pelo partido Avante, concedeu entrevista exclusiva ao ND Mais em São Paulo, na última sexta-feira (31). Na ocasião, ele apresentou um conjunto de propostas focadas em educação, saúde e economia, e defendeu a necessidade de um pacto nacional para superar a atual crise de polarização política.

Cury enfatizou que a divisão entre grupos políticos é um dos principais entraves ao progresso do país. Para ele, um ambiente de constante embate entre diferentes visões transforma a gestão pública em um cenário de paralisia. O escritor defendeu que o governo dialogue com todos os setores da sociedade para construir soluções conjuntas para problemas complexos e determinantes para o futuro do Brasil.

Uma de suas primeiras medidas, caso eleito, seria promover a aproximação entre Executivo, Legislativo e Judiciário. O objetivo seria criar um canal permanente de comunicação para tratar de demandas urgentes, abrangendo desde a violência contra a mulher até a necessidade de impulsionar o desenvolvimento econômico e reduzir as desigualdades regionais e sociais. O pré-candidato reforçou que um país que trata as diferenças como ameaças fica à mercê da estagnação.

Na mesma entrevista, Cury manifestou preocupação com o cenário fiscal que o próximo governante herdará. Ele classificou como muito provável que o ano de 2027 comece com graves dificuldades financeiras, o que chamou de “bomba fiscal”. Ele pontuou que o novo governo precisará equilibrar as contas, revisando gastos e prioridades para evitar o agravamento do endividamento público.

A resposta, segundo ele, está em reduzir desperdícios e buscar maneiras de o país gastar menos do que arrecada. Tal medida seria primordial para garantir a saúde econômica e permitir que, em um segundo momento, haja espaço para ampliar investimentos. O pré-candidato alertou que serão necessários sacrifícios, mas que eles se revelam indispensáveis para construir bases mais robustas para o futuro.

Ele também criticou a taxa de juros vigente no Brasil, que paradoxalmente encarece o custo de empréstimos e financiamentos para produtores rurais e pequenos empreendedores. Essa condição, na avaliação dele, asfixia a atividade privada e desencoraja a expansão de negócios, o que tende a comprometer ainda mais a geração de emprego e a recuperação da economia. O estímulo ao crédito seria uma alavanca necessária para retomar o crescimento.

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Na área de educação, Cury apresentou diagnósticos e metas importantes. Ele defendeu a expansão das escolas de tempo integral e um tratamento prioritário para a valorização dos docentes. Para ele, é inaceitável que o ensino básico continue relegado a segundo plano, enquanto as universidades sofrem com falta de infraestrutura e de incentivo à pesquisa científica.

Sobre o ensino médio, propôs uma reforma que permita ao aluno sair da escola com uma formação técnica em áreas promissoras, como tecnologia, marketing digital, enfermagem, gestão financeira e até mesmo inteligência artificial. A ideia é que os jovens tenham condições de ingressar no mercado de trabalho com habilidades práticas e atualizadas, atendendo às demandas contemporâneas da sociedade.

O pré-candidato entende que nenhum país alcançou o desenvolvimento pleno sem priorizar a educação integral de sua juventude. Ele também reconheceu o papel fundamental das universidades públicas, que, em sua visão, precisam ser fortalecidas para cumprir sua missão de gerar conhecimento, tecnologia, inovação e patentes. Contudo, ressaltou que esses centros de excelência estão sofrendo com a escassez de verbas, o que limita sua capacidade de produção científica.

A saúde foi outro pilar do plano de governo apresentado por Cury. Ele classificou o SUS como uma das mais relevantes conquistas da população brasileira, mas lamentou que o sistema esteja sobrecarregado, resultado de longas filas por consultas e cirurgias. A estrutura existente mostra-se insuficiente para atender à demanda crescente, comprometendo a qualidade do atendimento.

Para mitigar esse problema, o psiquiatra sugeriu a criação de uma plataforma nacional de telemedicina, denominada “Telessaúde Brasil”. Com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, a iniciativa poderia realizar uma triagem inicial de pacientes, permitindo que casos mais simples sejam resolvidos de forma remota. Isso, por sua vez, desafogaria os hospitais e clínicas para que se concentrem em situações de maior complexidade.

Na esfera política, Cury comentou os desafios de sua pré-candidatura, em especial a dificuldade de alcançar visibilidade diante dos algoritmos das redes sociais. Ele destacou que os candidatos com mais recursos financeiros conseguem impulsionar suas mensagens e ampliar consideravelmente seu alcance, criando uma desigualdade na corrida eleitoral. Por isso, ele espera usar o tempo de rádio e TV e os debates para apresentar suas propostas ao grande público.

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O escritor fez um apelo aos adversários para que compareçam aos debates, dizendo esperar que eles tenham coragem de expor seus projetos. Sua principal meta, segundo ele, é furar a bolha dos eleitores que estão acostumados a consumir conteúdos de uma única linha ideológica.

Em outro momento da entrevista, Cury confirmou que manteve contato com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, que também se apresenta como pré-candidato à Presidência. A conversa teria sido para discutir o panorama político e explorar caminhos para o desenvolvimento do país, mas sem avançar em pactos concretos ou definições de chapa. Ambos teriam trocado impressões sobre a importância de se reduzir a animosidade entre os poderes.

Cury afirmou que nutre admiração pela trajetória de Zema como gestor, destacando a convergência de pontos de vista sobre a necessidade de pacificar o país. Ainda assim, ele garantiu que não houve conversas específicas sobre quem ocuparia a vice-presidência ou a cabeça de chapa, limitando-se a uma discussão mais ampla sobre estratégias para vencer a estagnação governamental.

Na avaliação final, o escritor colocou sua pré-candidatura como uma missão de serviço público. Ele ressaltou que o presidente não deve ser visto como um líder incontestável, mas como um funcionário da população, contratado pelo voto e com prazo determinado para exercer suas funções. O propósito maior, segundo ele, seria conduzir um projeto de país capaz de superar diferenças e colocar o interesse coletivo acima das disputas partidárias.

O conteúdo completo da entrevista, incluindo as respostas na íntegra sobre cada um desses temas, você pode conferir no vídeo disponibilizado pelo ND Mais. A reportagem é de Camila Souza, jornalista que assina a cobertura política da editoria.

Fonte: ND+

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