O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pressionou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para que adote medidas capazes de conter a crise interna que abala a Corte. A cobrança foi feita logo após a sessão plenária da última terça-feira, 15, que foi marcada por embates entre os ministros durante a discussão de processos ligados ao caso do Banco Master.
Em entrevista ao programa Desce a Letra Show, veiculado no YouTube, Lula afirmou que a sociedade não pode continuar assistindo ao que classificou como “denuncismo” dentro do Supremo. Segundo o presidente, Fachin tem a responsabilidade de impedir que os conflitos internos interfiram no processo eleitoral. “O presidente Fachin tem a responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral”, declarou.
Lula também disse que a turbulência na Corte representa um prejuízo para a República. A declaração foi dada em um momento delicado, a poucas semanas do primeiro turno das eleições, e analistas avaliam que a crise em torno do ministro Alexandre de Moraes respinga negativamente na imagem do presidente, que tenta se desvincular da figura do magistrado.
Na terça-feira, os ministros do STF discutiram como deveriam tramitar os casos que envolvem Moraes e o Banco Master. A votação estava empatada em 4 a 3 a favor da análise separada dos processos quando o ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo o julgamento. O prazo para devolução do processo pode chegar a 90 dias.
A manifestação de Lula ocorre em meio à divulgação de pesquisas que mostram cenário eleitoral acirrado. Um levantamento da Quaest apontou 42% das intenções de voto para Flávio Bolsonaro (PL) e 40% para Lula em uma simulação de segundo turno. Já uma pesquisa do Data Trends indicou Flávio com 45% contra 44% de Lula no mesmo cenário.
O avanço de Flávio nas pesquisas tem colocado pressão adicional sobre o governo e sobre o próprio STF, que agora se vê no centro das atenções políticas. A cobrança de Lula a Fachin é interpretada como uma tentativa de evitar que a crise interna da Corte se transforme em um obstáculo ainda maior para a campanha presidencial.
Fonte: Revista Oeste




























