O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) promoveu, na tarde desta quarta-feira, 30, em Cruzeiro do Sul, uma cerimônia coletiva de casamento que oficializou a união de 126 casais. O evento marcou o encerramento de mais uma edição do Projeto Cidadão, iniciativa que há mais de três décadas oferece serviços gratuitos e promove a cidadania no estado. A celebração ocorreu no final da tarde e reuniu autoridades locais, familiares e os noivos.
Entre os participantes, cerca de dez mulheres participaram da cerimônia por procuração, uma vez que seus companheiros estavam temporariamente ausentes por estarem privados de liberdade. Mesmo sem a presença física dos parceiros, elas compareceram para formalizar o compromisso. “Eu sempre tive muita vontade de casar. Quem não tem?”, relatou Maria Pereira, que espera o segundo filho. Ela esteve acompanhada de Jéssica Ferreira e Raquel Araújo, que compartilharam experiências semelhantes. “No começo foi meio estranho, a gente chegou aqui e tá todo mundo com seu casal, mas ainda assim é muito gratificante. Hoje a gente não tá aqui, mas a gente tá realizando o nosso sonho e no dia que ele voltar, aí a gente vai fazer a nossa festa de casamento”, disse Raquel, que mantém um relacionamento há cinco anos. Jéssica, que está com o parceiro há 14 anos, destacou: “Mesmo ele não estando aqui comigo, é uma coisa que eu sempre sonhei. Hoje ele não está aqui, mas estou realizando um sonho com ele. A gente tá há 14 anos juntos, é uma vida”. Para elas, o projeto tornou viável um desejo que, de outra forma, poderia ter custo proibitivo.
O presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, esteve presente e ressaltou a importância da iniciativa. “É mais uma grande oportunidade que os noivos têm de dizer o seu sim e constituir formalmente as suas famílias. O Projeto Cidadão, mais uma vez, nos seus 30 anos, celebrando as uniões de família, levando cidadania e fortalecendo a união familiar”, afirmou. Em seu discurso, ele aconselhou os casais sobre respeito, confiança e apoio mútuo. “Não permitam que os problemas transformem vocês em adversários. Não existe competição. Um casal não pode competir com o outro. Tem que ser realmente aquele que apoia e torce pelo outro”, declarou. O desembargador também lembrou que dificuldades financeiras e desafios cotidianos podem ser superados em conjunto, com atitudes como reconhecer erros, perdoar e recomeçar.
A celebração foi conduzida pela juíza Adamárcia Nascimento Machado, natural de Cruzeiro do Sul e magistrada há 17 anos. Para ela, o momento teve significado especial: foi a primeira vez que conduziu uma cerimônia de casamento, justamente em sua cidade natal. “O primeiro casamento que eu celebro foi simplesmente deslumbrante”, resumiu. A solenidade contou com a presença do corregedor-geral da Justiça, desembargador Nonato Maia; da desembargadora Waldirene Cordeiro; do desembargador emérito Arquilau de Castro Melo; da presidente da Associação dos Magistrados do Acre (Asmac), juíza Olívia Ribeiro; além de representantes de instituições parceiras. A participação do desembargador emérito Arquilau de Castro Melo, um dos idealizadores do Projeto Cidadão quando era corregedor-geral, tornou a cerimônia ainda mais simbólica.
A emoção foi acompanhada pela Banda Musical do Comando de Fronteira Juruá/61º Batalhão de Infantaria de Selva (61º BIS), que executou a marcha nupcial na entrada dos casais. Ao final, a Prefeitura de Cruzeiro do Sul entregou uma lembrança especial a cada casal. Entre os 126 casais, histórias variadas ilustraram diferentes trajetórias. Marcleide Maciel e Francisco Wagner, juntos há 14 anos, conheceram-se em um torneio de futebol no interior. Tiveram três filhas: as gêmeas Lorena e Lara e a mais velha Luna. Já haviam celebrado o casamento religioso e concretizaram o sonho do civil. “Era o nosso sonho. A gente conseguiu casar na igreja católica e agora, com a graça de Deus, estamos conseguindo casar no civil. A gente só tem a agradecer”, contou Marcleide. Já Ana Paula Carvalho, de 19 anos, e Felipe Nascimento, de 27, completam um ano de relacionamento na sexta-feira. Após uma pausa e um reencontro, decidiram oficializar a união.
Fonte: TJ Acre




























