Uma moradora de Valparaíso (GO), de 31 anos, passou cerca de cinco horas aguardando a realização de uma cesárea depois que o filho, de oito meses de gestação, morreu dentro do útero. O caso aconteceu no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), no Distrito Federal, após uma série de atendimentos em diferentes unidades de saúde.
O bebê, que seria chamado Alef Gael, faleceu depois de uma sequência de procedimentos iniciada no Hospital Regional do Gama (HRG) em 16 de junho. Ketlen Stéfany Ferreira procurou a unidade com queixas de fortes dores abdominais.
De acordo com boletim de ocorrência obtido pela imprensa, exames feitos no HRG apontaram alterações laboratoriais, como plaquetas baixas. O marido, Ricardo Ribeiro da Cruz, de 37 anos, afirmou que os batimentos cardíacos do feto estavam normais naquele momento.
Como o HRG não tem maternidade, a gestante foi transferida para o HRSM. Lá, ela recebeu pulseira verde, indicando menor urgência, o que teria atrasado o atendimento. Com a piora do quadro, o casal buscou o Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), onde o caso foi reclassificado como urgente. Após novos exames, ela retornou ao HRSM de ambulância.
Internada e monitorada, Ketlen teve os batimentos cardíacos do bebê diminuindo progressivamente nos dias seguintes: estavam baixos na quarta-feira (17) e ainda menores na quinta (18). O pai relatou que a equipe médica tratou a situação como normal.
Na sexta-feira (19), os profissionais não conseguiram mais detectar os batimentos cardíacos da criança. O quarto do bebê já estava montado, com berço, cômoda e enxoval completo, preparados ao longo de uma gestação considerada de baixo risco até o início das dores.
O pai disse à imprensa que o sentimento da família é de revolta. Eles procuraram ajuda médica e confiavam que o bebê seria retirado a tempo, mas a gravidade do quadro não foi levada a sério. O último exame, em 20 de maio, indicava que o feto estava saudável.
Alef Gael tinha previsão de nascimento para 26 de julho. Primeiro filho do casal, que já tem filhos de relacionamentos anteriores, ele era muito esperado. O restaurante da família, inaugurado há três meses, está fechado desde a internação de Ketlen.
O caso foi registrado na 33ª Delegacia de Polícia de Santa Maria como ocorrência em apuração e está sob investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Em nota, o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) informou que, no dia 19 de junho, a paciente comunicou ausência de movimentos fetais e foi avaliada pela equipe obstétrica, que constatou óbito fetal intrauterino por ultrassonografia. O órgão afirmou ainda que a gestante fez duas consultas de pré-natal e uma ultrassonografia obstétrica às 20 semanas, e recebeu acompanhamento multiprofissional e especializado conforme os protocolos da unidade.
Fonte: Metrópoles




























