A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira a Operação Miragem, que investiga os principais executivos e empresas ligadas ao Banco Digimais, instituição financeira controlada pelo empresário e líder religioso Edir Macedo. A ação apura indícios de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional e resultou no bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores dos investigados.
Segundo a PF, as investigações tiveram início a partir de relatórios do Banco Central que apontaram irregularidades na gestão do banco. Entre os alvos estão Edir Macedo, executivos do alto escalão e diversas empresas do grupo. A Justiça Federal autorizou o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.
Entre os investigados, destacam-se quatro figuras que ocupam cargos estratégicos no banco: João Luiz Urbaneja, presidente do conselho de administração; Thiago Rodrigues Urbaneja, filho de João e diretor-presidente; João Alves de Campos, diretor; e Marcelo de Lima Brasil, também diretor. Todos foram alvos de buscas e tiveram os sigilos quebrados.
Outros executivos, como Rodrigo Ruggero, Rodrigo Balassiano e José Roberto Giancoli Filho, também estão na lista de investigados, embora seus papéis específicos ainda não tenham sido detalhados. A PF também mirou o próprio Banco Digimais e a ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, além de empresas como B.A. Empreendimentos e Participações, Bless Capital Gestora de Recursos e Digimais Securitizadora de Créditos Financeiros.
Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e controlador do banco, não foi alvo de mandado de busca, mas teve o sigilo quebrado. A operação apura suspeitas de manipulação de balanços, ocultação da real situação financeira da instituição e operações ilegais realizadas durante a gestão.
A PF informou que o esquema envolvia a manipulação sistemática de resultados contábeis para aparentar solvência perante os órgãos de controle. A prática teria permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas na ordem de centenas de milhões de reais. Também são investigadas operações financeiras supostamente ilegais em benefício da controladora e a falsificação de informações em sistemas oficiais do regulador.
Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas, previstos na Lei 7.492/1986. O banco ainda não se manifestou sobre as acusações.
O Banco Digimais foi fundado em 1981 como Banco Renner, em Porto Alegre. Edir Macedo adquiriu participação minoritária em 2009 e assumiu o controle total em 2020, quando o renomeou para Digimais. Desde então, o banco passou a registrar prejuízos, com destaque para o rombo de R$ 740 milhões em 2022.
O banco também enfrenta disputas judiciais envolvendo carteiras de crédito. A gestora Yards alega que 22 mil Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) de um total de 54 mil oferecidas por um fundo teriam problemas de lastro. Em outra ação, o fundo EXP1 acusa o Digimais de vender R$ 650 milhões em carteiras de crédito falsas. Reportagens recentes indicam que repasses de carteiras para outras instituições apresentam cerca de 60% de inadimplência.
Fonte: O GLOBO




























