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VIRA E MEXE A DIGITAL PETISTA APARECEAldemir Bendine, ex-Petrobras, preside banco alvo da PF por fraudes

Ex-presidente do BB e da Petrobras, Aldemir Bendine comanda o Banco Digimais, de Edir Macedo, alvo da Operação Miragem.

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A Polícia Federal realiza nesta terça-feira a Operação Miragem, que investiga o Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo. À frente do banco está Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, que ganhou notoriedade nacional durante os governos do PT.

Nascido em Paraguaçu Paulista, no interior paulista, Bendine começou sua carreira no Banco do Brasil como escriturário em 1978. Três décadas depois, foi indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a presidência da instituição em 2009.

Em fevereiro de 2015, já no mandato de Dilma Rousseff, foi nomeado presidente da Petrobras em meio à turbulência da Operação Lava Jato. Ele permaneceu no cargo até maio de 2016.

Em julho de 2017, Bendine foi preso na 42ª fase da Lava Jato, acusado pelo Ministério Público Federal de solicitar e receber R$ 3 milhões em propina da Odebrecht para favorecer a empreiteira em contratos com a Petrobras. Ele sempre negou as acusações.

No ano seguinte, foi condenado pelo juiz Sergio Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em 2019, a condenação foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal, sob o argumento de que a defesa não teve chance de se manifestar após os réus colaboradores, o que abriu precedente para revisões na Lava Jato.

Com a retomada da ação penal, Bendine foi novamente condenado por corrupção. Em 2021, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmou a sentença, fixando pena de seis anos e oito meses de prisão.

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Após o desfecho judicial, Bendine retornou ao mercado financeiro. Em dezembro de 2025, assumiu a presidência executiva do Banco Digimais. A contratação foi apresentada como parte de um plano de expansão, com foco em crédito consignado.

A Operação Miragem apura suspeitas de manipulação de balanços, ocultação da real situação financeira do banco e operações supostamente ilegais. Mais de 50 policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão em São Paulo, autorizados pela Justiça Federal.

Edir Macedo, proprietário do banco, está entre os investigados. A decisão judicial também determinou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, além do sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670,3 milhões.

Segundo a PF, as investigações se basearam em relatórios do Banco Central que apontaram graves irregularidades na administração da instituição. O esquema teria envolvido manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis para esconder a real situação econômico-financeira e simular solvência perante os órgãos reguladores.

A prática teria permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas na casa de centenas de milhões de reais. A PF também investiga operações financeiras supostamente ilegais em benefício da empresa controladora do banco, além de possível falsificação de informações em sistemas oficiais do regulador.

Os investigados podem responder por gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e operações de crédito vedadas, conforme a Lei 7.492/1986, que trata de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O g1 aguarda posicionamento do Digimais.

O Banco Digimais foi fundado em 1981 em Porto Alegre, como Banco Renner, pela família de mesmo nome. Passou por mudanças de controle e adotou o nome Digimais em 2020, quando foi reestruturado como banco digital.

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Foi nesse ano que Edir Macedo assumiu o controle integral do antigo Banco Renner, comprando a totalidade das ações. Ele já era acionista minoritário desde 2009, com 40% de participação. Em 2020, rebatizou a instituição e nomeou o bispo João Urbanela para dirigi-la.

Dois anos depois, o banco, que tinha finanças sólidas na época Renner, passou a registrar prejuízo. Em 2022, o balanço apontou um déficit de R$ 740 milhões.

A instituição também enfrenta disputas judiciais envolvendo carteiras de crédito. Desde novembro de 2024, a gestora Yards, que administra um fundo de direitos creditórios, abriu ação contra o Digimais, alegando falhas na carteira de créditos oferecida para o fundo.

Segundo a ação, ao menos 22 mil Cédulas de Crédito Bancário, de um total de 54 mil, teriam problemas de lastro. A parcela restante teria inconsistências que dificultariam a cobrança dos créditos.

Em março de 2025, a revista Piauí revelou um suposto modus operandi fraudulento do Digimais, semelhante ao do Banco Master. Uma das irregularidades é analisada pela 13ª Vara de São Paulo em ação movida pelo fundo EXP1, que acusa o banco de vender R$ 650 milhões em carteiras de crédito falsas. O jornal O Estado de S. Paulo também mostrou que há repasses de carteiras do Digimais a outras instituições com cerca de 60% de inadimplência.

Fonte: O GLOBO

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