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Energia cara no Brasil: por que você paga tanto na conta — e o que isso tem a ver com monopólio

Produção centralizada, tributos pesados e conciliação com renováveis: entenda todos os fatores que encarecem a energia elétrica.
Oitenta e quatro por cento dos brasileiros consideram a energia elétrica cara ou muito cara. Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasi

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💡 Como funciona a geração e distribuição de energia no país

  1. Produção — quem domina?

* A Eletrobras é o maior player, com 42.559 MW em usinas (23% da geração nacional) — quase totalmente renovável (hidro, eólica, solar).

* Além dela, estatais regionais (como Cemig, Copel) e privadas também participam.

* Estimativas indicam mais de 800 empresas geradoras, entre pequenas, médias e grandes, incluindo renováveis privadas.

  1. Distribuição — quem entrega?

* O setor conta com 12 grandes estatais e cerca de 70 concessionárias privadas — como a Energisa, que atende cerca de 20 milhões de consumidores (10% da população) e opera no Acre.

* Cada empresa tem exclusividade por área, configurando monopólios regionais.

  1. Comercialização & regulação

* Geradores vendem energia às distribuidoras, que por sua vez vendem ao consumidor final. Esses contratos são regulados pela ANEEL.

* Há mercado livre para grandes consumidores, mas a maioria (famílias) permanece no mercado cativo.

📊 Custos da energia: composição da tarifa

A conta de luz inclui:

  • Custo de Geração: compra da distribuidora, variação por fonte (hidro vs térmica/solar).
  • Transmissão e Distribuição: manutenção, perdas, investimentos nas redes.
  • Tributação:
    • ICMS estadual: geralmente entre 25–35%;
    • PIS/PASEP + COFINS (federal): cerca de 6,6%.
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Em São Paulo, por exemplo, tributos chegam a 23% da tarifa.

📍 Tarifas por estado: ranking aproximado

Dados de 2023/24, compilados por ANEEL e estudos nacionais:

  • Top 5 mais caros (R$/kWh):
    • Rondônia – R$ 1,10
    • Acre – R$ 1,09
    • Amapá – R$ 1,08
    • Roraima – R$ 1,07
    • Mato Grosso – R$ 1,05
  • Top 5 mais baratos:
    • Mato Grosso do Sul – R$ 0,82
    • Goiás – R$ 0,83
    • São Paulo – R$ 0,85
    • Minas Gerais – R$ 0,87
    • Paraná – R$ 0,88

→ No Acre, morador paga ~R$ 1,09/kWh, quase 30% mais que em São Paulo.

👨‍👩‍👧‍👦 Baixa renda paga mais

Famílias com renda até 2 salários mínimos pagam tarifa social com desconto de até 65%, mas mesmo assim enfrentam custos elevados, especialmente com bandeiras tarifárias ativas, que adicionam até R$ 0,30 por kWh em dias críticos.

🔆 Energia solar: uma luz obrigada

Foto: Assis Fernandes/O Dia

 

  • A micro-geração residencial cresceu, mas o governo federal aumentou tarifas sobre painéis importados de 9,6% para 25% desde 2024.
  • Estados como Acre e Goiás viram liminares judicias suspenderem cobrança de ICMS sobre energia solar gerada em casa.
  • Desde 2023, houve dois aumentos expressivos nos impostos federais à energia solar – no Imposto de Importação (2024) e ajustes para ICMS via reforma tributária.
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📈 Impacto:

Altas trajetórias reduziram ritmo de instalação, encareceram sistemas residenciais e afetaram economia local (cerca de R$ 97 bilhões e 750 mil empregos em risco, segundo a ABSOLAR)

Nos estados, o ICMS sobre energia solar representa 5–10% da receita tributária estadual — no Acre, pequena mas sensível ao crescimento do setor.

Conclusão

O Brasil vive um mercado quase monopolizado na distribuição, com poucas geradoras dominando o setor — especialmente estatais. As tarifas são altas por conta de:

  • custo de geração e distribuição elevado;
  • carga tributária pesada (federal + ICMS;
  • distorções nos incentivos à energia solar;
  • infraestrutura deficiente;
  • monopólios regionais sem concorrência real.

Para famílias de baixa renda, mesmo a tarifa social não cobre as altas despesas, e no Acre o impacto é maior ainda. O País precisa de reforma tarifária, abertura real ao mercado livre e incentivos equilibrados à geração renovável.

🔔 Continue acessando o Portal Acre Conservador para entender como a energia — serviço essencial — está sendo moldada por decisões políticas e tributárias que afetam diretamente o seu bolso e o futuro do Brasil. Informação independente e do seu lado.

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