O USS Nimitz, o mais antigo porta-aviões nuclear ainda em operação na Marinha dos Estados Unidos, ancorou próximo ao Rio de Janeiro em maio de 2026. O navio, que mede 332,85 metros de comprimento, tem dimensões que superam três campos de futebol enfileirados. Com deslocamento de cerca de 97 mil toneladas, a embarcação é um dos maiores navios de guerra já construídos, funcionando como aeroporto, base militar e cidade flutuante para milhares de tripulantes.
A passagem pelo litoral fluminense fez parte da operação Southern Seas 2026, uma missão da 4ª Frota dos EUA voltada à cooperação com países da América Latina. O porta-aviões permaneceu fundeado fora da área portuária entre 7 e 11 de maio. Durante esse período, a Marinha do Brasil participou de treinamentos conjuntos com a fragata Defensora, a corveta Barroso, o submarino Humaitá e o destróier americano USS Gridley.
Os exercícios incluíram comunicação, defesa aérea, guerra antissubmarino e navegação em formação. Autoridades brasileiras visitaram o navio e acompanharam operações aéreas realizadas no convés. O USS Nimitz levava a bordo dezenas de aeronaves, entre caças e helicópteros, lançados por catapultas movidas a vapor.
O convés do navio tem 76,8 metros no ponto mais largo e ocupa aproximadamente 4,5 acres, o equivalente a mais de 18 mil metros quadrados. Abaixo dele, o hangar armazena e mantém as aeronaves quando não estão em operação. O casco, por sua vez, tem largura de cerca de 40,8 metros.
Mesmo com seu tamanho colossal, o USS Nimitz atinge velocidades superiores a 30 nós, aproximadamente 56 km/h. Essa velocidade é crucial para as decolagens, já que o movimento do navio aumenta o fluxo de ar sobre as asas das aeronaves, facilitando a sustentação.
A propulsão do navio vem de dois reatores nucleares, que geram calor para transformar água em vapor. Esse vapor movimenta turbinas conectadas a quatro eixos de hélices, desenvolvendo mais de 250 mil cavalos de potência. O vapor também alimenta sistemas auxiliares e as catapultas usadas para lançar os aviões.
Os reatores nucleares reduzem drasticamente a necessidade de reabastecimento de combustível. Os porta-aviões da classe Nimitz foram projetados para cerca de 50 anos de serviço, com apenas uma troca de combustível nuclear no meio da vida útil. O USS Nimitz, incorporado em 1975, já está na fase final de sua carreira operacional.
O sistema de lançamento de aeronaves é um dos pontos mais notáveis do navio. Como a pista de decolagem não é longa o suficiente para caças pesados usarem apenas os próprios motores, quatro catapultas a vapor são empregadas. Antes do lançamento, o avião é preso a um mecanismo sob o convés. Uma barreira metálica se ergue atrás da aeronave para desviar o calor e o empuxo dos motores.
Quando a equipe autoriza a decolagem, o vapor impulsiona um pistão ligado ao trem de pouso dianteiro, acelerando o avião a cerca de 260 km/h em menos de três segundos. Esse sistema permite que caças pesados, como o F/A-18, decolam em segurança do convés relativamente curto.
O USS Nimitz pode transportar mais de 65 aeronaves, incluindo caças, aviões de alerta antecipado e helicópteros. A tripulação regular é de aproximadamente 3.200 pessoas, mas com a ala aérea completa, o número sobe para cerca de 5.680. Para sustentar esse contingente, o navio conta com cozinhas, refeitórios, lavanderias, oficinas, instalações médicas, academias e alojamentos.
As cozinhas são capazes de preparar até 18 mil refeições por dia. Quatro unidades de destilação produzem mais de 1,5 milhão de litros de água doce diariamente, tratando a água do mar para uso nos reatores, cozinhas, chuveiros e demais serviços. A logística de abastecimento é complexa, com suprimentos sendo trazidos por navios de carga e helicópteros.
O USS Nimitz participou de operações no Oriente Médio, Mediterrâneo, Oceano Índico e Pacífico ao longo de suas cinco décadas de serviço. A passagem pelo Rio foi uma de suas últimas missões. A Southern Seas 2026 terminou em junho, após o grupo contornar a América do Sul e realizar atividades com outros países da região.
Em 9 de julho, o porta-aviões atracou em Norfolk, Virgínia, seu primeiro e único porto-base, conforme a Marinha. O navio continuará treinando aviadores e permanecerá disponível para novas missões até ser desativado, o que deve ocorrer nos próximos anos.
A visita ao Brasil reforçou os laços de cooperação entre as marinhas dos dois países. Oficiais brasileiros puderam conhecer de perto as capacidades do gigante de aço, que segue como um dos símbolos do poder naval americano.
Fonte: NSC Total





























