O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) promoveu, na quarta-feira, 15, um diálogo com policiais militares e civis sobre o papel dos homens no combate à violência doméstica. A ação ocorreu durante o Workshop “Antes da Viatura: homens pela prevenção da violência doméstica”, realizado na Escola do Poder Judiciário do Acre (Esjud), em Rio Branco. O evento foi organizado pela Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do Estado do Acre.
O juiz de Direito Guilherme Fraga, integrante da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cosiv) do TJAC, palestrou sobre o tema “O Sistema de Justiça e a Lei Maria da Penha na Reabilitação do Autor e Prevenção da Violência Doméstica”. Em sua fala, ele destacou a importância de os homens atuarem como agentes de mudança. “O homem tem um papel importante para desconstruir essa nossa sociedade baseada no machismo. Nós somos exemplos, temos que começar a mudar”, afirmou o magistrado.
A programação contou também com a participação da tenente-coronel Cristiane Soares da Silva, que apresentou o tema “Mapeando a Realidade: Estatísticas de Gênero e o Custo Humano e Social da Violência”. A defensora pública Gabriella de Andrade Virgílio abordou “Os homens como agentes de mudança na prevenção da violência contra as mulheres”. O evento foi encerrado com uma roda de conversa sobre paridade de gênero e o papel masculino na redução desses crimes.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Observatório de Gênero do Ministério Público do Acre (MPAC) indicam que o Acre lidera o ranking nacional de feminicídios, com 3,37 mortes por 100 mil habitantes. No Brasil, em 2025, foram registrados 1.568 assassinatos de mulheres. No estado, 74% dos feminicídios ocorrem dentro de residências, 91% envolvem relacionamentos afetivos e o domingo é o dia com maior incidência. A tenente-coronel Priscila Soares, responsável pela Patrulha Maria da Penha no Acre, ressaltou que os agressores, em geral, não possuem ficha criminal e são vistos como trabalhadores e pais de família. “O homem não nasce agressor, ele aprende a ser. Se aprende a ser agressor, também pode aprender a não ser”, afirmou.
Fonte: TJ Acre



























