O ex-presidente da Petrobras e atual coordenador do programa de governo do candidato petista à Presidência, José Sérgio Gabrielli, manifestou apoio à reestatização do segmento de distribuição de combustíveis. Para ele, a medida seria uma forma eficaz de coibir elevações excessivas nos preços praticados nos postos de gasolina.
Gabrielli argumentou que o modelo adotado pelas principais petroleiras internacionais, conhecido como integração vertical ‘do poço ao posto’, proporciona maior eficiência e controle sobre a cadeia de suprimentos. Essa estrutura, segundo ele, reduz custos e beneficia o consumidor final.
Na avaliação do ex-dirigente estatal, a fragmentação dos elos da indústria petrolífera gera ineficiências sistêmicas que encarecem o produto para o comprador. Embora não tenha defendido textualmente a recompra da antiga BR Distribuidora, ele deixou clara a necessidade de o Estado recuperar capacidade de atuação no setor.
“O que o presidente Lula defende, e nós também, é que a Petrobras retorne à distribuição. Esse é o padrão de todas as grandes petroleiras do mundo. Todas”, afirmou Gabrielli em entrevista.
Desde 2019, a Petrobras está proibida contratualmente de operar postos de combustíveis até 2029, em decorrência do acordo de privatização da BR Distribuidora. A marca Petrobras nos postos, hoje geridos pela Vibra, também é de uso exclusivo da iniciativa privada durante esse período.
Em declarações à Folha de S. Paulo, Gabrielli classificou a privatização da Eletrobras como “um desastre” e defendeu o aumento da presença estatal em setores considerados estratégicos. Ele sugeriu que o governo amplie sua representação no conselho da empresa, hoje desproporcional à sua participação acionária.
Apesar de reiterar o compromisso com a responsabilidade fiscal, o coordenador de campanha criticou a ênfase dada à política de juros no combate à inflação. Para ele, a alta de preços tem origens múltiplas e não pode ser enfrentada apenas com taxas de juros elevadas.
Gabrielli defendeu que o crescimento econômico sustentável depende da redução das taxas de juros, do aumento da produtividade, da ampliação dos investimentos e do fortalecimento de mecanismos de planejamento estatal.
Ele explicou que a falta de uma distribuidora integrada ao refino impede a Petrobras de equilibrar as margens. “A Petrobras segura o preço na refinaria, mas a margem da distribuição aumenta. Por isso é necessário que a companhia volte à distribuição”, detalhou.
Indagado sobre como se daria esse retorno, Gabrielli afirmou que há várias alternativas, como a compra da BR ou de outra distribuidora, ou ainda o questionamento jurídico das cláusulas contratuais que restringem o uso da marca. Ele ressaltou, porém, que a decisão cabe à Petrobras, não ao governo.
O ex-presidente da estatal também criticou as condições do contrato de venda da BR, classificando como “absurdas” as cláusulas que impedem a Petrobras de usar sua marca por uma década. Para ele, esse dispositivo deve ser contestado na Justiça.
Na área de energia elétrica, Gabrielli propôs aumentar a intervenção governamental, viabilizando projetos de longo prazo por meio de regulação. Ele defendeu que o governo tenha assentos no conselho da Eletrobras proporcionais à sua participação acionária.
Por fim, o economista afirmou que é preciso estimular o consumo, o que exige maior crescimento do país. Isso, segundo ele, requer uma política macroeconômica coerente com a expansão da atividade econômica.
Fonte: O Sul




























