Uma parcela de ministros e assessores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou insatisfação com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por 90 dias. Em conversas reservadas, um ministro influente do governo apontou que o principal problema reside na justificativa apresentada pelo magistrado.
Segundo essa fonte, a divulgação de uma carta escrita por Jair Bolsonaro feita pelo senador não deveria ser o motivo central para a restrição. Para auxiliares da área jurídica do Palácio do Planalto, Moraes teria sido mais acertado se adotasse outro fundamento.
Um argumento que poderia ter sido usado, conforme esses interlocutores, seria o fato de Flávio Bolsonaro ser mencionado no chamado Caso Master, no qual há suspeitas de que ele teria buscado benefícios para a produção de um filme sobre a vida do ex-presidente. Nessa linha, a comunicação entre um investigado e o suposto beneficiário das ações seria incompatível com o andamento das apurações.
Além das questões jurídicas, há no Palácio do Planalto a percepção de que a medida pode reforçar a narrativa de vitimização do senador. Flávio só poderá retomar o contato com o pai em 11 de outubro, uma semana após o primeiro turno das eleições presidenciais.
O senador, que é filho mais velho de Jair Bolsonaro e também atua como seu advogado, já vem explorando o argumento de que a decisão de Moraes viola suas prerrogativas profissionais. Paralelamente à proibição de visitas, o ministro determinou que o caso seja encaminhado ao Ministério Público Eleitoral para avaliar se a carta — na qual o ex-presidente pede união em torno da candidatura de Flávio — configura propaganda antecipada.
Fonte: Diário do Brasil Notícias



























