A semana começou com forte alta nas cotações internacionais do café, combinando preocupações climáticas e expectativas de safra recorde que geram volatilidade nos mercados futuros.
Na ICE Futures US, os contratos de arábica subiram mais de 1.400 pontos nas primeiras horas do pregão, enquanto o robusta na ICE Europe também registrou ganhos, recuperando parte das perdas da semana anterior.
O vencimento para setembro de 2026 do arábica atingiu 328,25 cents por libra-peso, alta de 14,45 pontos. Já o robusta com o mesmo prazo avançou US$ 40, cotado a US$ 3.797 por tonelada.
O principal motor da valorização é o retorno das preocupações com fenômenos climáticos extremos. Investidores monitoram a possível formação de um Super El Niño entre o fim de 2026 e início de 2027, o que poderia alterar drasticamente o regime de chuvas nas áreas produtoras de café.
Dados da NOAA indicam alta probabilidade de ocorrência, com anomalias de temperatura no Pacífico entre 1,8°C e 2,5°C, configurando um evento de forte intensidade.
Especialistas alertam que um Super El Niño pode provocar impactos severos na agricultura global, elevando o prêmio de risco das commodities e turbinando a volatilidade dos mercados.
Embora a atual safra brasileira não sofra influência direta, os agentes já ajustam suas posições futuras para incorporar possíveis efeitos sobre a oferta mundial.
Além da produção agrícola, o fenômeno pode causar estragos econômicos bilionários. Estudos do Peterson Institute estimam perdas de US$ 686 bilhões apenas no primeiro ano, acumulando US$ 3,1 trilhões em cinco anos, devido a cortes em investimentos, rupturas nas cadeias globais e inflação.
Países como Brasil, grandes exportadores de commodities, são especialmente vulneráveis, com culturas como café, soja e milho na linha de frente.
Apesar do suporte climático, o mercado não ignora a perspectiva de uma safra mundial recorde em 2026/27. A produção global deve atingir 189,7 milhões de sacas, puxada pela recuperação do arábica brasileiro e pelo aumento do robusta vietnamita.
Colheitas expressivas também são esperadas na Etiópia e em Uganda, ampliando a disponibilidade internacional. O consumo está projetado em 179,7 milhões de sacas, com exportações recordes de 131,4 milhões e estoques finais de 26,3 milhões de sacas.
A recomposição gradual dos estoques alivia parte da pressão observada nos últimos anos, quando os níveis estavam historicamente baixos.
No Brasil, maior produtor e exportador, o andamento da colheita é acompanhado de perto. O clima favorável na maioria das regiões permite o avanço dos trabalhos, apesar de algumas chuvas pontuais no Sudeste que causaram breves interrupções.
Não há previsão de geadas ou eventos extremos que possam comprometer significativamente a safra. Além do volume, a qualidade dos grãos é fator crucial para as exportações do segundo semestre.
Paralelamente, os estoques certificados nas bolsas internacionais seguem abaixo dos níveis do ano passado, mantendo o mercado físico com oferta apertada e limitando quedas mais acentuadas.
A combinação de safra recorde, estoques baixos, riscos climáticos e colheita brasileira deve manter o mercado altamente volátil nas próximas semanas. Qualquer mudança no clima das regiões produtoras pode provocar rápidas reviravoltas nas cotações.
Assim, o café permanece sensível a informações sobre clima, ritmo da colheita, evolução dos estoques e revisões das estimativas de produção, fatores que continuarão ditando os preços globais.
Fonte: Portal do Agronegócio





























