Um relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalha um suposto esquema de corrupção envolvendo servidores do Banco Central e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o documento, Belline Santana, que chefiou o Departamento de Supervisão do BC, recebia pagamentos mensais que chegavam a R$ 500 mil em troca de informações confidenciais.
As investigações apontam que um desses repasses teria sido ainda maior, alcançando R$ 760 mil, conforme mensagens analisadas pelos investigadores. O relatório também indica que Belline teve despesas pessoais, como almoços, jantares e uma viagem a Paris, custeadas por Vorcaro.
Além de Belline, outro servidor do Banco Central é citado no documento: Paulo Sérgio Neves de Souza, gerente adjunto do Departamento de Supervisão. De acordo com a PF, ele teria recebido uma viagem para a Disney, nos Estados Unidos, e estaria envolvido na aquisição considerada atípica de um imóvel rural.
Os dois servidores são apontados como consultores de Vorcaro, participando de reuniões privadas, revisando documentos e discutindo estratégias relacionadas ao antigo Banco Master. O relatório destaca que eles atuavam no “alinhamento de estratégias e revisão de documentos, bem como reuniões privadas, inclusive na residência do investigado”.
O documento, que tem 164 páginas, reúne mensagens trocadas entre Vorcaro e os servidores. Em uma delas, Paulo Sérgio encaminha ao ex-banqueiro a portaria de sua nomeação para o Departamento de Supervisão do BC. Em outra, afirma que era “prioridade absoluta” encontrar Vorcaro para tratar de interesses do Master.
A relação entre os servidores e o ex-banqueiro já era conhecida desde a prisão preventiva de Vorcaro, mas com o fim do sigilo do relatório, vieram à tona detalhes sobre os pagamentos e outras vantagens apontadas pela investigação.
Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza foram afastados de suas funções e negam ter repassado informações internas do Banco Central a Vorcaro. Os dois também afirmam que podem comprovar que despesas com viagens e outras vantagens mencionadas no relatório foram pagas por eles próprios.
A investigação da PF busca esclarecer se os servidores repassaram informações ligadas à Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras relacionadas à instituição. O caso segue sob análise do STF.
O suposto esquema envolvia pagamentos recorrentes e benefícios que, segundo a PF, tinham como objetivo obter acesso a dados sigilosos do Banco Central. A defesa dos envolvidos nega as acusações e alega que as despesas foram custeadas com recursos próprios.
A Operação Compliance Zero investiga fraudes financeiras que podem ter relação com o vazamento de informações. A PF apura se os servidores atuaram para favorecer os interesses de Vorcaro e do Banco Master.
O relatório da PF foi encaminhado ao STF e agora deve ser analisado pelo ministro responsável, que decidirá sobre possíveis desdobramentos do caso. As investigações continuam para apurar a extensão do esquema e identificar outros possíveis envolvidos.
Fonte: ND+






























