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BOA AÇÃODaniel Vorcaro resiste em delação e alega que pagamentos a políticos foram por amizade

Dono do Banco Master nega contrapartidas e pode travar acordo com a Justiça.

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O banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, segue relutante em ampliar sua proposta de delação premiada. Em conversas com seus advogados, ele afirma que os pagamentos feitos a figuras políticas decorrem de relações de amizade, sem qualquer exigência de favores em troca. Essa postura, segundo fontes que acompanham o caso, tende a dificultar o avanço das negociações com as autoridades.

Entre os políticos que receberam recursos do banqueiro estão dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. No caso de Toffoli, uma empresa de sua família vendeu cotas de um resort de luxo no interior do Paraná para um fundo ligado ao Master. Já com relação a Moraes, há um contrato de prestação de serviços firmado entre o banco e a advogada Viviane Barci, esposa do magistrado.

Vorcaro também repassou dinheiro para bancar o filme “Dark Horse”, que aborda a trajetória política de Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, atuou como intermediário nas negociações financeiras. Além disso, o banqueiro contratou o ex-ministro Guido Mantega, que organizou um encontro entre Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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Confrontado pelos advogados sobre as lacunas em sua delação, antes do primeiro veto ao acordo, Vorcaro justificou que buscava apenas “ganhar tempo”. Isso porque o início das tratativas permitiu sua transferência da penitenciária federal de segurança máxima para uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

Essa cela ganhou o apelido de “Ibis” entre os próximos de Vorcaro. Trata-se de uma sala de Estado-Maior que havia sido preparada para abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso fosse condenado.

A primeira proposta de delação, entregue à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), foi rejeitada há cerca de duas semanas. A PF encerrou as negociações na ocasião, mas a PGR devolveu o documento solicitando complementações.

Após essa rejeição, o advogado José Luís de Oliveira Lima, que liderava as negociações, deixou a defesa de Vorcaro. O banqueiro então passou a trabalhar em uma nova versão da delação com o criminalista Sérgio Leonardo, que o representa desde o início das investigações.

A equipe jurídica tenta incluir novos fatos na proposta, mas Vorcaro insiste em não confessar crimes nem fornecer informações sobre possíveis atos ilegais envolvendo políticos e autoridades. Ele resiste até mesmo a admitir irregularidades financeiras à frente do Banco Master.

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Os investigadores da PF consideram que as provas obtidas até agora, como o celular do banqueiro e outros elementos das fases da operação, já permitiram avanços independentes. Por isso, uma delação só seria valiosa se trouxesse novidades e novas linhas de investigação, o que ainda não ocorreu.

A PF informou ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, que analisará uma nova proposta se ela for apresentada. No entanto, as falhas da primeira tentativa geraram desconfiança sobre a real intenção de Vorcaro em colaborar. A defesa busca um acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas a primeira oferta já foi considerada insuficiente pelos procuradores.

Fonte: O Sul

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