O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (3), a abertura de dois processos disciplinares contra o deputado André Janones (Avante-MG). Ao mesmo tempo, o colegiado arquivou representações contra Lindbergh Farias (PT-RJ) e Guilherme Boulos (Psol-SP) – este último hoje ministro licenciado do governo Lula. O contraste reacende o debate sobre seletividade política no Parlamento, principalmente quando comparado ao tratamento dispensado a deputados ligados à direita.
Janones será notificado da decisão e terá dez dias úteis para apresentar defesa prévia e indicar testemunhas.
⚖️ Acusações contra Janones: ofensas e falso testemunho
O primeiro processo (Representação 14/25) foi apresentado pelo PL, que acusa Janones de ofender o deputado Gustavo Gayer (PL-GO), chamando-o de “assassino”, “corrupto” e “drogado” — linguagem incompatível com o decoro parlamentar.
O segundo processo (Representação 8/25) trata da acusação de que Janones teria cometido falso testemunho em outra investigação do próprio Conselho, ligada ao caso das supostas rachadinhas em seu gabinete.
O advogado do deputado, Paulo Lemos, defendeu que não existe ilícito quando um parlamentar, ao depor em causa própria, tenta se defender, ainda que sua versão dos fatos seja contestada. Segundo ele, “não há falso testemunho de quem fala em autodefesa”.
🛑 Punição anterior já cumprida
Janones já havia sido alvo da Representação 3/25, referente às ofensas contra Nikolas Ferreira (PL-MG) enquanto este discursava em plenário. O caso resultou em suspensão de 3 meses do mandato — pena considerada suficiente pelo relator, deputado Gustinho Ribeiro (Republicanos-SE), que recomendou o arquivamento dessa nova etapa sem novas sanções.
🚩 Lindbergh e Boulos são poupados — e o duplo padrão se repete
Na mesma reunião, o Conselho decidiu arquivar representações contra Lindbergh Farias e Guilherme Boulos, ambos acusados de ofensas contra parlamentares do PL. Em tese, condutas semelhantes às atribuídas a Janones.
A diferença de tratamento, contudo, chama atenção:
- Janones, apesar de aliado do governo, é frequentemente visto como um ator polêmico e imprevisível;
- Boulos e Lindbergh, por outro lado, pertencem à base ideológica mais fiel ao governo Lula e à esquerda histórica brasileira.
Para muitos observadores, a decisão reforça a sensação de blindagem seletiva, especialmente quando comparada à rigidez aplicada contra deputados conservadores, como já ocorreu com Nikolas Ferreira, Gustavo Gayer, Carla Zambelli e outros alvos frequentes da militância de esquerda e de setores do Judiciário.
🔍 O que essa decisão revela sobre o clima político na Câmara
No contexto da atual legislatura, o Conselho de Ética tornou-se um dos espaços mais sensíveis da disputa política. Nas últimas sessões, acumula decisões que sugerem protelações, blindagens e endurecimentos estrategicamente calibrados, dependendo do campo ideológico do acusado.
- Quando parlamentares conservadores são denunciados, processos andam com rapidez anômala.
- Quando o alvo é alguém da esquerda — especialmente ligado ao governo — arquivamentos são frequentes.
- Quando o acusado é um aliado volátil, como Janones, o colegiado tende a abrir processo, mas de maneira moderada.
Essa oscilação mina a já desgastada confiança da sociedade no sistema político, alimentando a percepção de que a ética parlamentar depende menos dos fatos e mais de alianças momentâneas.
🌐 Cenário mais amplo: o Conselho de Ética virou instrumento político?
Embora, oficialmente, todos os casos sejam analisados de forma técnica, na prática o Conselho opera sob forte influência do ambiente político do momento. As decisões recentes revelam:
- tolerância com ofensas vindas da esquerda, tratadas como “debate político”;
- rigor ampliado contra opositores do governo, frequentemente enquadrados por qualquer palavra fora do tom;
- tratamento ambíguo a aliados instáveis, como Janones, para evitar rupturas desnecessárias.
A abertura dos processos contra Janones, portanto, não deve ser interpretada apenas como cumprimento do regimento, mas como resultado da conveniência política entre governo, oposição fragmentada e interesses momentâneos da cúpula legislativa.
Reportagem | Portal Acre Conservador
* Com informações de Site Danúzio News / Guia do Investidor / Folha do Estado.





























