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ACREChaveiro vence lúpus com ajuda da Justiça e alcança remissão

Saulo Negreiros, 67, chaveiro em Rio Branco, obteve na Justiça o medicamento Rituximabe para tratar lúpus e alcançou a remissão da doença.

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Saulo Negreiros, de 67 anos, natural do Seringal Silêncio, em Boca do Acre, trabalha há três décadas como chaveiro em Rio Branco. Seu estabelecimento, o Universo das Chaves, localizado no Mercado do Bosque, é a principal fonte de renda da família. Em 2018, contudo, começaram a surgir os primeiros indícios de uma enfermidade que transformaria profundamente sua rotina e a de seus familiares.

A trajetória até o diagnóstico definitivo foi marcada por equívocos médicos. O primeiro clínico geral atribuiu os sintomas a uma alergia, sem solicitar exames, e relacionou o quadro ao tabagismo e à covid-19. Um segundo profissional pediu uma bateria de exames, que revelou inflamação em uma glândula sob o braço, levando à suspeita de tuberculose — diagnóstico que Saulo contestou, pois não apresentava tosse. O tratamento prescrito, no entanto, provocou piora significativa em seu estado de saúde.

Com o avanço dos sintomas, incluindo inchaço nas pernas, escurecimento da pele e falta de ar, Saulo procurou um cardiologista. Exames apontaram derrame pleural e hipertensão pulmonar. Novas avaliações indicaram a possibilidade de câncer, e uma intervenção foi feita para retirar o conteúdo do inchaço. Apesar disso, os corticoides prescritos agravaram uma diabetes pré-existente, gerando novas complicações.

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Somente em 2022, após uma biópsia renal cujo material foi analisado por um laboratório de Belo Horizonte, veio o diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico em estágio avançado, com nefrite grave. Os rins já apresentavam falência iminente. O filho de Saulo, Andrey, relatou que o pai, enfraquecido, chegou a afirmar diariamente que estava morrendo. A família precisou reorganizar casa, trabalho e cuidados para enfrentar a crise.

O lúpus é uma doença autoimune crônica, mais comum em mulheres — cerca de 90% dos casos —, o que dificultou o diagnóstico em Saulo, conforme explicou o filho. A reumatologista Adriana Marinho foi quem prescreveu o Rituximabe, medicamento usado de forma off-label para a condição. A primeira dose custou R$ 9 mil, e são necessárias quatro doses por ciclo, repetido a cada seis meses, o que levou a família a se endividar.

Desde a primeira aplicação, Saulo relatou alívio imediato, com redução das manchas, do inchaço e do cansaço. Com dois meses, a melhora era visível. O acesso ao tratamento foi garantido por meio de uma decisão judicial, e o chaveiro alcançou a remissão da doença, retomando sua rotina e o convívio com os filhos no mercado.

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Fonte: TJ Acre

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