O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, recebeu formalmente a Colômbia como nova integrante da coalizão militar hemisférica contra o narcotráfico, nesta quarta-feira (12). A adesão ocorreu após a posse do presidente colombiano Abelardo de la Espriella, na semana passada, e foi anunciada durante encontro no Panamá.
Antes de se reunir com o ministro da Defesa colombiano, Jorge Eduardo Mora, general da reserva, Hegseth confirmou que o país sul-americano também autorizou a realização de operações militares conjuntas. O objetivo declarado é desarticular redes de tráfico e grupos armados associados ao crime organizado.
A reunião da Coalizão das Américas contra Cartéis aconteceu na Cidade do Panamá, país cujo canal se tornou um dos focos iniciais da política do presidente dos EUA, Donald Trump, para a América Latina. Desde então, a estratégia americana se expandiu significativamente.
Em setembro, forças dos EUA lançaram ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas, resultando em mais de 200 mortes até o momento. Em janeiro, uma operação de comandos liderada por Washington culminou na deposição do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Críticos apontam que os ataques americanos podem constituir crimes de guerra, passíveis de julgamento pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Hegseth, por sua vez, rechaçou a instituição e incentivou os aliados presentes no Panamá a abandonarem o tribunal.
Em seu discurso, o secretário comparou os traficantes de drogas a grupos terroristas como Al-Qaeda e Estado Islâmico. Ele também invocou uma versão reformulada da Doutrina Monroe, chamando-a de “Doutrina Donroe”, em referência a Trump.
“Defenderemos nosso hemisfério de ameaças externas”, afirmou Hegseth, incluindo narcotráfico e influência estrangeira. A declaração ocorreu em um hotel na capital panamenha, reforçando o tom intervencionista da administração americana.
O presidente colombiano Abelardo de la Espriella, recém-empossado, prometeu medidas enérgicas de segurança. Seu governo já recebeu sinalização positiva de Washington, que anunciou na sexta-feira (7) um pacote de US$ 1 bilhão em assistência de segurança para a Colômbia.
Em seu discurso de posse, De la Espriella disse que vai “erradicar definitivamente o flagelo das culturas ilícitas” e aderir ao programa Escudo das Américas, criado por Trump. Ele responsabilizou o antecessor, Gustavo Petro, pela expansão de grupos armados no país.
A eleição de De la Espriella reflete uma guinada à direita na América Latina. Em países como Peru, Argentina, Chile, Equador, Bolívia e Panamá, crises econômicas e aumento da criminalidade têm impulsionado candidatos de extrema-direita, que prometem repressão dura e capitalizam o avanço do nacionalismo.
No Panamá, o governo Trump obteve uma vitória judicial em janeiro, quando a Suprema Corte local reverteu concessões portuárias da empresa CK Hutchison, de Hong Kong, controlada pela Panama Ports Company. A decisão ocorreu após pressão americana sobre a influência chinesa na região.
O Canal do Panamá movimenta cerca de 5% do comércio marítimo global, tornando seus portos um ponto estratégico na disputa entre Washington e Pequim. O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, que discursou na reunião, afirmou que o narcotráfico é a maior ameaça regional.
Mulino descartou temores de que a coalizão liderada pelos EUA viole a soberania dos países membros. Ele disse que os grupos criminosos transnacionais, que atuam no tráfico de drogas e de pessoas, são as verdadeiras ameaças. “Nunca haverá uma paz sustentável se esse inimigo avançar”, declarou.
Fonte: CNN Brasil




























