O Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) entregou oficialmente, na tarde desta quarta-feira, 1º de outubro, a revitalização completa do Centro Cultural do Juruá, em Cruzeiro do Sul. O imóvel, construído no início do século XX, é apontado como o prédio público mais antigo do estado a manter suas características arquitetônicas originais. A cerimônia contou com a presença de autoridades do Judiciário, entre elas o presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira.
De acordo com informações do próprio tribunal, a obra recebeu investimento de R$ 831.759,85, custeado exclusivamente com recursos do Poder Judiciário acreano. A intervenção incluiu a substituição do telhado por material mais resistente e com melhor conforto térmico, a recuperação do piso com madeira e a reorganização dos espaços de exposição. O acervo, composto por documentos, fotografias e objetos, foi redistribuído e ganhou conteúdos visuais que narram a trajetória do Judiciário na região do Vale do Juruá.
A história do prédio remonta a 1908, quando a Comissão de Obras Federais, liderada pelo intendente Bueno de Andrada, iniciou sua construção. A conclusão ocorreu em 1909. O imóvel abrigou inicialmente a Intendência do Alto Juruá, primeira Prefeitura de Cruzeiro do Sul. Em 1910, foi repassado ao Poder Judiciário, passando a sediar cartórios e o Tribunal do Júri da comarca por cerca de nove décadas. O espaço também recebeu o Tribunal de Apelação do Alto Juruá. Em 13 de junho de 2001, durante as comemorações pela autonomia do Acre e pelos 38 anos de criação do TJAC, o antigo Fórum foi transformado em Centro Cultural do Juruá.
Durante a solenidade, o presidente Laudivon Nogueira afirmou que a entrega representa um compromisso com as gerações futuras. “Estamos entregando um prédio que tem mais de 100 anos de existência e que conta a própria história do Acre”, declarou. Ele também destacou que o espaço aproxima o Judiciário da população. A coordenadora da Memória e Gestão Documental do TJAC, Ana Cunha, ressaltou que a preservação da estrutura original é motivo de orgulho por manter viva uma história que pertence não apenas ao Judiciário, mas à sociedade acreana.
O desembargador emérito Arquilau de Castro Melo, presente à cerimônia, observou que os espaços culturais mantidos pelo Judiciário permitem uma relação diferente com o público. “Quando você julga um processo, você divide. Nos espaços culturais, é diferente. Aqui ninguém vem obrigado. O sujeito vem por prazer, para se deleitar e admirar esse espaço”, disse. Ele acrescentou que os documentos preservados ajudam a contar histórias sobre pessoas, costumes e transformações sociais. “A memória é da sociedade, porque, se você for abrir processos, o guardião da história do Acre e do Brasil é o Judiciário”, afirmou.
O corregedor-geral da Justiça, desembargador Raimundo Nonato Maia, que atuou na região no final da década de 1990 e início dos anos 2000, também participou da entrega. Ele lembrou que o prédio faz parte de sua trajetória profissional e da história da Justiça no Juruá. O Centro Cultural do Juruá permanece aberto à população e recebe turistas, estudantes e moradores interessados na história do Acre e do Poder Judiciário.
Fonte: TJ Acre






























