Nesta sexta-feira, Riade, Ancara e Islamabad formalizam um acordo de cooperação em defesa, conforme apurou a AFP junto a fontes ligadas aos governos envolvidos. A cerimônia de assinatura ocorre em um cenário de escalada de violência no Oriente Médio, impulsionada por ataques dos houthis e pelo conflito entre Estados Unidos e Irã.
A Arábia Saudita busca reforçar suas alianças de segurança em um momento em que a guerra entre americanos e iranianos afeta diretamente os países vizinhos, com impactos na navegação do Estreito de Ormuz e do Mar Vermelho. As rotas marítimas, vitais para o transporte de petróleo, foram interrompidas em diversos episódios.
Especialistas apontam que o conflito fortaleceu a posição do Irã e de seus aliados houthis no Iêmen, que passaram a intensificar ataques contra território saudita. Paralelamente, cresce a percepção de que Washington não é mais um parceiro tão confiável para Riade, o que levou a um estreitamento de laços com Turquia e Paquistão, ambos defensores de mediação diplomática.
A assinatura do acordo também coincide com o colapso da trégua entre a Arábia Saudita e os rebeldes houthis. Os insurgentes, que controlam a capital iemenita, Sanaa, e vastas áreas do norte do país, retomaram as hostilidades, lançando ataques contra o território saudita e declarando bloqueio marítimo, na tentativa de impedir a passagem de petroleiros com destino ao reino.
Uma fonte próxima aos círculos militares e governamentais sauditas revelou à AFP que as negociações para o pacto entre os três países já ocorriam há algum tempo. No entanto, os recentes acontecimentos na região aceleraram o processo. Uma segunda fonte, também anônima, confirmou que a assinatura estava programada para esta sexta-feira.
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, desembarcou em Jeddah, no litoral do Mar Vermelho, segundo informações da mídia saudita. Ele deve se encontrar com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, para a cerimônia oficial.
Sharif, acompanhado do chefe do Exército paquistanês, general Asim Munir, também chegou ao reino. O Ministério da Informação do Paquistão informou que a comitiva realizou uma peregrinação a Meca antes das reuniões bilaterais.
Tahir Andrabi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, afirmou que a visita transcende a crise imediata no Golfo, adquirindo um significado estratégico de longo prazo para os três países. A declaração foi feita na quinta-feira, véspera do encontro.
A possível aliança militar entre as três nações já era alvo de especulações há meses. O Paquistão, única potência nuclear do mundo islâmico, vinha atuando como mediador nos esforços para encerrar o conflito entre EUA e Irã. A Turquia, por sua vez, desempenha papel diplomático nas negociações para pôr fim à guerra em Gaza.
A Arábia Saudita e o Paquistão já haviam anunciado, para 2025, a intenção de firmar um acordo de defesa conjunto. A nova aliança, agora com a inclusão da Turquia, ocorre em meio a uma ofensiva renova dos houthis, que intensificaram os ataques contra instalações e navios sauditas.
Os houthis, apoiados pelo Irã, também ameaçam a navegação no Mar Vermelho, rota crucial para as exportações de petróleo do Golfo. Essa pressão se soma ao bloqueio do Estreito de Ormuz, imposto por Teerã, criando um cenário de estrangulamento para os exportadores de energia da região.
O conflito no Iêmen, que se arrasta por mais de uma década, opõe os houthis ao governo reconhecido internacionalmente, apoiado pela coalizão liderada pelos sauditas desde 2015. Um cessar-fogo vigorou por quatro anos, mas as hostilidades recomeçaram nas últimas semanas, com consequências mortais.
Na quinta-feira, em um dos dias mais letais do conflito, ataques com mísseis e drones houthis mataram ao menos 58 soldados governamentais iemenitas, conforme relatou uma fonte militar. A guerra civil já deixou centenas de milhares de mortos e provocou uma das piores crises humanitárias do mundo.
Fonte: Jovem Pan




























