O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu publicamente, neste domingo (2/8), ter descumprido a legislação eleitoral ao solicitar votos de forma explícita antes do prazo autorizado. A declaração foi feita durante a convenção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), que oficializou sua candidatura à reeleição, realizada no Expo Center Norte, em São Paulo.
“Eu estou aqui hoje e eu não posso falar que sou candidato”, disse Lula. “Eu falei na Bahia, e eu vou ser multado. Eu falei na Bahia, pedi voto para você [Fernando Haddad], mas eu não deveria ter pedido. Você só pode pedir depois do dia 15. Então, meu caro, é o seguinte, eu estou convencido. Vocês têm que preparar a campanha”, reconheceu o chefe do Executivo.
No sábado (1º/8), durante convenção da federação partidária na Bahia, Lula discursou para prefeitos e lideranças locais e fez um apelo direto: “Estou pedindo para vocês não se cansarem de votar. Me elejam pela quarta vez para a gente poder fazer esse país definitivamente dar certo”.
De acordo com as normas eleitorais, a propaganda e os pedidos de voto só são permitidos a partir de 16 de agosto, quando tem início oficialmente o período de campanha. A declaração de Lula ocorre antes desse prazo, o que configura infração passível de penalidade.
No evento deste domingo, o presidente também tratou de minimizar os resultados de pesquisas de intenção de voto que o colocam à frente do principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL). “Eu quero dizer a todo mundo que não fique preocupado com pesquisa, nem se estiver bom e nem se não estiver bom. A guerra não começou, o campeonato não começou, ele vai começar agora”, afirmou.
Lula aproveitou o discurso para criticar o atual cenário político-partidário. Ele afirmou que haverá “briga por emenda parlamentar” com o Congresso Nacional e teceu críticas ao Fundo Partidário, que, segundo ele, “está levando os partidos à promiscuidade”. O presidente também manifestou nostalgia em relação ao passado da sigla: “Eu quero que vocês saibam que eu sou triste com a política de hoje. Eu preferia o meu partido quando a gente tinha que vender uma camiseta para arrumar dinheiro, para colocar gasolina, para fazer outro comício”.
Em um momento voltado ao eleitorado feminino, Lula foi enfático: “Quem bate em mulher não vota em mim”. Ele defendeu a construção de uma “sociedade que respeita mulher” e fez uma reflexão: “Quando ele [homem] sentir raiva de uma mulher, ele tem que lembrar de onde ele veio: da barriga de uma mulher”.
O presidente também afirmou que não precisa “inventar nada” para convencer os brasileiros sobre sua candidatura. “O que motiva um governo nas eleições é seu legado. Quem não fez [nada], não tem o que prometer”, declarou Lula.
Durante o discurso, o atual chefe do Executivo elogiou o candidato a vice-presidente na chapa, Geraldo Alckmin (PSB). “O Brasil nunca teve um ministro da indústria com a sua competência. É essa competência que faz você ser o meu vice”, destacou. Lula também mencionou que a aproximação com Alckmin foi viabilizada por uma conversa com Fernando Haddad: “Se não fosse uma conversa que eu tive com Haddad, você não entraria na minha vida”.
A oficialização da candidatura de Lula foi anunciada por volta das 10h pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, que confirmou a homologação da chapa. “Terminou nesse exato momento a nossa convenção oficial e, daqui a pouco, nós vamos dar início ao nosso ato político. Vamos celebrar essa construção política que é histórica, a construção política que vai reeleger o presidente Lula”, afirmou.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, celebrou a parceria com o presidente e fez uma referência bem-humorada à dupla. “Quero reiterar o meu compromisso de trabalharmos juntos com fidelidade e responsabilidade em benefício da nossa população. Há quatro anos atrás, aqui, foi lançada uma receita de sucesso. E quatro anos depois, ela continua nos hits de parada de sucesso. Lula com chuchu! Vamos, presidente!”, brincou Alckmin, no Expo Center Norte, em São Paulo.
A expressão “Lula com chuchu” ficou conhecida durante as eleições de 2002 para o governo de São Paulo, quando Alckmin, então filiado ao PSDB, era adversário de Lula. Antes da formação da aliança, o próprio Lula utilizava o bordão em críticas ao ex-tucano.
Em seu discurso no evento, Alckmin também relembrou os ataques à democracia ocorridos após as eleições de 2022. “Os nossos adversários, perdendo as eleições, tentaram um golpe de Estado, tinham como projeto matar aqueles que foram eleitos pelo povo”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin ainda defendeu a confiança no sistema eleitoral brasileiro: “Quem não acredita no voto popular, não devia nem ser candidato a presidente. A descrença nas urnas é cheiro, fumaça de derrota. A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano”.
O ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), também discursou na convenção e elogiou Lula. “As pessoas gostariam de ter um Lula à sua disposição. Só que o Lula é brasileiro. Só que o Lula é nosso”, declarou. Ele completou: “O Brasil está sendo reconstruído e vai continuar seguindo em frente, de cabeça erguida, sem baixar a cabeça para presidente de nenhum outro país, sem botar boné de presidente de nenhum outro país, defendendo os interesses nacionais, independentemente do teor das ameaças que possam nos ser feitas”.
Simone Tebet (PSB), ex-ministra e candidata ao Senado por São Paulo, participou da convenção e direcionou críticas ao adversário Flávio Bolsonaro. “Não tem dois democratas disputando a eleição. O lado de lá é extrema direita. É aquele que quer tirar e eliminar direitos já conquistados, que acha que lugar de mulher é só dentro de casa, que discute até o direito do voto feminino. Tal pai, tal filho. Golpista, sempre golpista. E a população brasileira está começando a perceber isso”, afirmou.
Lula repete, neste pleito, a composição vencedora de 2022, tendo Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente. A candidatura de Alckmin foi aprovada na convenção nacional do PSB, realizada em Brasília na quarta-feira (29/7), com a presença do presidente e de outros líderes partidários.
A convenção do PT também contou com a presença de diversas lideranças políticas e apoiadores, que acompanharam os discursos e a homologação oficial da chapa. O evento marcou o início oficial da campanha à reeleição, com a expectativa de que a disputa se intensifique nas próximas semanas.
Fonte: Metrópoles






























