A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) confirmou que irá concorrer a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas próximas eleições. Depois de cogitar abrir mão da disputa devido a um desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu enteado, ela decidiu seguir com a candidatura.
A oficialização do nome de Michelle deve ocorrer durante a convenção do partido no DF, marcada para o próximo domingo, quando ela aparecerá em público ao lado de Flávio pela primeira vez desde o atrito. Na ocasião, a sigla também deve anunciar a candidatura de Bia Kicis (PL), em uma tentativa de fortalecer a chapa.
De acordo com apuração da reportagem com aliados próximos, a decisão final foi tomada na última sexta-feira, após uma conversa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. A ex-presidente do PL Mulher, que se sentia preterida após o conflito com Flávio, teria ficado mais tranquila após ouvir de Valdemar que sua participação era estratégica para os planos da direita no cenário nacional.
Outras duas figuras foram importantes para garantir a permanência de Michelle na disputa: a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas). Amigas da ex-primeira-dama, elas atuaram nos bastidores para convencê-la a não desistir e para aproximá-la novamente de Flávio, mediando a reconciliação pública.
Nos bastidores do PL, a vitória de Michelle nas urnas é considerada quase certa. Com forte apelo entre eleitores bolsonaristas, evangélicos e conservadores moderados, ela é vista como um trunfo para a legenda manter influência no Congresso após a próxima legislatura. Além disso, seu nome é cotado como possível herdeira política do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente se Flávio não conseguir derrotar Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial.
O atrito entre Michelle e Flávio teve início em 25 de junho, quando a ex-primeira-dama publicou vídeos em suas redes sociais afirmando ter sido humilhada pelo senador. Na ocasião, ela declarou que Flávio a teria maltratado e dito que ela deveria ficar de fora das decisões do partido. Em seguida, ela pediu desligamento do cargo que ocupava no PL Mulher.
Nos vídeos, Michelle explicou que a rusga teria começado quando Flávio defendeu o deputado André Fernandes (PL-CE), presidente da sigla no Ceará. Fernandes havia declarado apoio à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo cearense. Michelle, por sua vez, acusou Ciro de ter chamado os filhos de Bolsonaro de corruptos e de “ovos de serpentes nazistóides”.
A reaproximação aconteceu em 23 de julho, quando Michelle publicou uma nova mensagem aceitando as desculpas de Flávio, que também se manifestou em vídeo no mesmo dia. Na ocasião, a ex-primeira-dama afirmou que o propósito em comum, voltado ao bem do povo, era maior que os desentendimentos, e que perdoava o enteado.
Segundo a reportagem, o texto da declaração de reconciliação foi elaborado pela governadora Celina Leão, que é citada por Michelle no vídeo como responsável por viabilizar o acordo. A participação de Celina foi determinante para que os dois lados chegassem a um consenso e encerrassem o impasse.
Fonte: Jovem Pan





























