O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já pagou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares até o início de julho. Esse montante supera todos os registros anteriores para períodos pré-eleitorais, inclusive o total pago no ano completo de 2022, quando o Executivo desembolsou R$ 28,04 bilhões.
Os dados são do painel Siga Brasil, do Senado Federal, que reúne informações sobre autorização e execução de emendas indicadas por deputados e senadores desde 2015. Os valores consideram também os chamados restos a pagar, ou seja, despesas de anos anteriores que foram quitadas neste exercício.
Esse repaste recorde supera os montantes pagos em anos de eleição federal anteriores. Nos primeiros seis meses de 2022, o governo havia desembolsado R$ 20,43 bilhões, valor 65% menor que o atual. Já em 2018, no mesmo período, foram pagos R$ 6,41 bilhões, cifra 428% inferior à registrada neste ano.
Mesmo com a correção pela inflação oficial (IPCA), o recorde se mantém. Os R$ 20,43 bilhões de 2022 equivaleriam hoje a R$ 21,63 bilhões, enquanto os R$ 6,41 bilhões de 2018 corresponderiam a R$ 9,6 bilhões – ambos ainda muito abaixo dos R$ 33,89 bilhões atuais.
A comparação com anos de eleições municipais também mostra aumento expressivo. Em 2020, o total pago foi de R$ 21,54 bilhões; em 2016, R$ 3,65 bilhões. Para 2024, ainda não é possível detalhar os pagamentos mensais no Siga Brasil, mas o valor total empenhado e pago naquele ano chegou a R$ 31,4 bilhões.
Dos R$ 33,89 bilhões pagos até 5 de julho, cerca de R$ 25,31 bilhões são relativos a emendas de 2026, e R$ 8,58 bilhões referem-se a emendas de exercícios anteriores. No primeiro semestre, o Executivo atendeu 23.752 indicações de senadores e deputados federais.
A área da saúde concentrou a maior parte dos recursos. A Atenção Básica lidera, com R$ 10,93 bilhões, seguida de perto pela Assistência Hospitalar e Ambulatorial, com R$ 10,73 bilhões. Juntos, esses dois segmentos somam mais de R$ 21 bilhões, mais da metade do total.
Pagamentos classificados como “Outras Transferências” totalizaram R$ 4,55 bilhões. Outros setores com valores significativos incluem Assistência Comunitária (R$ 1,29 bilhão), Promoção da Produção Agropecuária (R$ 1,21 bilhão), Serviços Socioassistenciais (R$ 965,23 milhões), Desporto Comunitário (R$ 752,5 milhões) e Infraestrutura Urbana (R$ 720,84 milhões).
O Ministério da Saúde foi o órgão mais beneficiado, recebendo R$ 21,79 bilhões em emendas parlamentares – valor muito superior ao dos demais. Em seguida, aparecem as Transferências a Estados, Distrito Federal e Municípios, com R$ 4,54 bilhões, e o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, com R$ 1,71 bilhão.
Outros ministérios também receberam volumes relevantes, embora menores: Desenvolvimento e Assistência Social (R$ 1,08 bilhão), Agricultura e Pecuária (R$ 821,2 milhões), Esporte (R$ 757,13 milhões) e Educação (R$ 706,97 milhões).
Fonte: CNN Brasil





























