O advogado Jeffrey Chiquini fez um alerta sobre os impactos do Projeto de Lei da Misoginia, atualmente em análise no Congresso Nacional. Segundo ele, a proposta, que amplia as penas para crimes de racismo para incluir discursos contra as mulheres, pode ser usada para criminalizar lideranças religiosas com base em interpretações de passagens bíblicas.
Chiquini afirmou que padres e pastores poderão ser presos caso seus sermões sejam considerados machistas. Para ele, a esquerda política estaria utilizando a legislação para silenciar as igrejas evangélicas e católicas, impedindo-as de pregar livremente os ensinamentos da Bíblia.
O jurista citou como exemplo termos como ‘submissão da mulher’, presentes em textos sagrados, que poderiam ser enquadrados como misoginia e investigados criminalmente mediante denúncia. Ele previu cenas de líderes religiosos sendo algemados enquanto lêem passagens bíblicas, sob a acusação de racismo.
Chiquini concluiu seu discurso com um apelo aos cristãos, alertando que movimentos de esquerda não compartilham dos mesmos valores e que eles não deveriam votar nesses partidos. Ele classificou a esquerda como comunista e contrária aos interesses dos cristãos.
O advogado ganhou notoriedade por ter defendido Felipe Martins, ex-assessor internacional do ex-presidente Jair Bolsonaro. Suas declarações ocorrem em meio à tramitação do PL da Misoginia na Câmara dos Deputados.
O caso do Frei Gilson foi mencionado como um sinal do que pode acontecer. No início do ano, o religioso sofreu uma campanha de cancelamento nas redes sociais após ser acusado de machismo e intolerância. Em um vídeo, ele explicou um trecho bíblico sobre o papel da mulher, afirmando que submissão não significa escravidão, mas sim ser a base e o coração do lar.
A senadora Soraya Thronicke criticou o frei, acusando-o de misoginia e incitação ao ódio, e pediu providências da Igreja Católica. Posteriormente, o Ministério Público recebeu uma denúncia contra ele por machismo e homofobia.
Em um podcast, o frei já havia relatado que não pode mais pregar na televisão devido a riscos de processos judiciais, nem fazer lives com medo de ter seu canal derrubado. Ele expressou preocupação com a possibilidade de, no futuro, não conseguir mais falar nas redes sociais.
Quanto ao andamento do PL da Misoginia, a Câmara dos Deputados aprovou regime de urgência para sua votação no plenário, acelerando o trâmite sem necessidade de análise em comissões. Se aprovado sem alterações, seguirá para sanção presidencial. Caso contrário, precisará de nova aprovação pelo Senado.
A deputada Tábata Amaral (PSB), cotada como relatora, busca construir consenso para aprovação da matéria. O principal obstáculo tem sido o apoio da bancada evangélica, que teme restrições à liberdade religiosa. O grupo evangélico, que já representa 26,9% da população brasileira, vem ampliando sua influência política em Brasília nas últimas décadas.
Fonte: Brasil Paralelo Notícias





























