O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados que apontam redução na taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais no Acre. Em 2025, o índice ficou em 8,9%, contra 9,4% registrados no ano anterior, uma diminuição de 0,5 ponto percentual. O número reflete o impacto das políticas públicas voltadas à ampliação do acesso à educação e à alfabetização da população, com progressos graduais nos indicadores educacionais do estado.
Para acelerar a redução do analfabetismo, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), atua em duas frentes principais: garantir a alfabetização infantil na idade adequada e expandir as oportunidades de escolarização para jovens, adultos e idosos que não concluíram os estudos no período regular. A estratégia busca evitar que novas gerações cheguem à vida adulta sem domínio da leitura e da escrita.
Na alfabetização infantil, o Acre registrou um dos maiores avanços do país. Pelo Indicador Criança Alfabetizada (ICA), divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o estado subiu 17 pontos percentuais em relação ao ano anterior, atingindo 68% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. O resultado superou a média nacional, de 66%, e permitiu ao Acre alcançar antecipadamente a meta projetada para 2027.
O avanço é fruto de uma política articulada entre Estado, municípios, Ministério da Educação (MEC), União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e Fundação Getulio Vargas (FGV), por meio do programa Alfabetiza Acre. A iniciativa inclui formação continuada de professores e gestores, avaliação diagnóstica, acompanhamento pedagógico, recomposição das aprendizagens e reconhecimento de boas práticas nas redes públicas de ensino.
Em junho, a SEE realizou o 2º Ciclo Formativo de Alfabetização do programa Alfabetiza Acre, em Rio Branco, reunindo cerca de 300 articuladores regionais e municipais, assessores pedagógicos e coordenadores de ensino dos 22 municípios. A formação focou no fortalecimento das práticas de alfabetização, ensino de língua portuguesa e matemática, além da recomposição das aprendizagens, com ênfase na transformação dos resultados das avaliações em estratégias pedagógicas para o cotidiano escolar.
O chefe da Divisão de Implementação da Política Alfabetiza Acre, Márcio Parente, destacou a efetividade do trabalho colaborativo com os municípios. “O Acre registrou o segundo maior crescimento percentual nos índices de alfabetização no país. Já alcançamos a meta prevista para 2027, atualmente, 68% das crianças estão alfabetizadas. Agora, nosso objetivo é chegar a 80% até 2030”, afirmou.
Uma das ferramentas que orientam esse trabalho é o Avalia Acre, sistema estadual de monitoramento da aprendizagem. Em 2025, a avaliação alcançou os 22 municípios, envolvendo 270 escolas e 24.322 estudantes dos 2º e 5º anos do ensino fundamental, que realizaram provas de língua portuguesa e matemática. Os dados também embasam o Prêmio Alfabetiza Acre, que reconhece municípios e gestores com melhores desempenhos e maiores avanços na alfabetização, incentivando o compartilhamento de boas práticas.
Em maio, gestores municipais foram premiados nas categorias Destaque Regional em Alfabetização, Maior Evolução nos Resultados de Alfabetização e Excelência em Alfabetização. O município de Feijó alcançou 82% de proficiência em língua portuguesa, a maior porcentagem. A representante da SEE no município, Marinês Dantas, atribuiu o resultado ao acompanhamento pedagógico e à parceria entre Estado e Município. “Esse prêmio representa um grande avanço no processo de alfabetização. Foi um trabalho consolidado a partir das diretrizes da SEE e dos processos formativos”, disse.
Além das ações voltadas às crianças, o governo mantém programas para jovens, adultos e idosos na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Na Escola João Paulo II, em Rio Branco, o estudante Raimundo de Oliveira, que retornou à sala de aula, contou: “Agora já conheço as letras, já consigo até ler algumas palavras. Eu tenho esperança que vou aprender tudo”. As iniciativas buscam oferecer autonomia para ler documentos, assinar o próprio nome e acessar novas oportunidades de trabalho e renda.
Fonte: Agência de Notícias do Acre





























