Na próxima terça‑feira (24), o Senado realizará debates sobre as causas do aumento dos feminicídios no Brasil, tema que exige atenção sob a perspectiva sociológica conservadora — focada em valores familiares, estrutura social e falhas institucionais.
De acordo com o Atlas da Violência 2023 (Ipea–FBSP), 36,6 % dos homicídios de mulheres em 2022 foram classificados como feminicídios. Já os homicídios residenciais configuram cerca de 35 % em 2023, pois grande parte dos casos traz motivações de gênero. No Brasil, ocorrem em média 4,66 feminicídios por dia (1.706 em 2023). Nesses últimos oito anos, o país manteve altas taxas anuais, com leve retração apenas em 2024, mas sem mudança estrutural no padrão de violência.
Especialistas conservadores atribuem o fenômeno a fatores como:
- Desvalorização da figura paterna e masculinidade tradicional, fragmentando o controle disciplinar;
- Influência ideológica de uma cultura genderista, que narram os conflitos domésticos como luta de poderes, e não como falhas individuais ou rupturas morais;
- Déficit educacional e falhas no núcleo familiar, especialmente nas comunidades com maior desestruturação;
- Facilidade no acesso a armas brancas ou de fogo, intensificando conflitos íntimos.
Destaca-se ainda o lado invisível da violência: o assassinato de policiais mulheres, que não entram nas estatísticas de feminicídio, mas possuem forte componente de gênero. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, cerca de 14 policiais por dia foram mortos no Brasil — embora o recorte por gênero não esteja discriminado, estima-se que cerca de 10% sejam mulheres, mas números são imprecisos.
Se considerarmos que essas mortes de policiais mulheres (provavelmente motivadas pelo fato de serem mulheres e policiais) poderiam ser classificadas como feminicídio, então o número real de feminicídios seria 6,06 mortes diárias, 30% a mais que a estatística oficial.
Casos emblemáticos incluem:
1 – A sargento Regiane Miranda, assassinada em julho de 2020 em Santa Catarina, crime reconhecido como motivado pelo fato de ela ser mulher e policial;
2 – Outras agentes foram mortas em serviço ou folga, sem classificação oficial como feminicídio.
Essa lacuna estatística evidencia a falha institucional: crimes com motivação de gênero nem sempre são tipificados corretamente, especialmente quando envolvem servidoras públicas. Políticas públicas e sistemas de segurança ainda precisam aprimorar reconhecimento e proteção dessas mulheres.
No acre
Entre 2018 e janeiro de 2025, o Acre registrou 77 feminicídios consumados e 111 tentativas de feminicídio, conforme dados do Feminicidômetro do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) . Em 2024, o estado apresentou uma redução de 20% nos casos de feminicídio em comparação a 2023, com 8 ocorrências registradas . Nas últimas semanas, dois feminicídios foram registrados em rio Branco, que engrossam essa triste estatística.
Apesar dessas quedas, o Acre manteve-se em 2º lugar no ranking nacional de feminicídios em 2023 (último levantamento), com uma taxa de 2,4 mortes por 100 mil mulheres, empatado com Rondônia e Tocantins . A maioria das vítimas era negra ou parda (86%) e possuía ensino fundamental incompleto (71%) .
A residência foi o local mais comum dos crimes, com 75% dos casos ocorrendo dentro de casa. Além disso, 72% das vítimas tinham filhos, totalizando 118 crianças órfãs.
Fonte: Agência Senado / Matéria elaborada com auxílio de IA





























