Menu

SEM CPI DO MASTERZanin rejeita ação que exigia instalação da CPI do Banco Master no Senado

Ministro do STF nega pedido para obrigar Senado a instalar CPI do Banco Master após quase seis meses de espera.

publicidade

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta semana um pedido que buscava obrigar o Senado Federal a instalar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o Banco Master. A decisão representa mais um capítulo na disputa entre o Legislativo e o Judiciário em torno do tema.

A petição, apresentada pelo senador Alessandro Vieira, solicitava que o STF determinasse a abertura imediata da comissão, que já conta com 41 assinaturas de parlamentares — número bem superior ao mínimo de 27 exigido pela Constituição para a criação de uma CPI. Apesar disso, quase seis meses após a protocolização do requerimento, a comissão ainda não foi instalada.

Diante da inércia, o senador recorreu ao Supremo na tentativa de forçar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, a dar andamento ao pedido. No entanto, Zanin negou a liminar, argumentando que não há elementos suficientes que justifiquem uma intervenção do STF no funcionamento interno do Legislativo.

Segundo o ministro, também não ficou demonstrado que Alcolumbre tenha praticado uma omissão de natureza inconstitucional ao não instalar a CPI. Para Zanin, o Judiciário deve agir com cautela antes de interferir em questões políticas do Congresso.

Leia Também:  Van Hattem pede reunião da CCAI para avaliar conduta do diretor da PF

A reação de Alessandro Vieira foi imediata. Em declaração, o senador classificou a decisão como uma “decepção” e afirmou que a discussão não está encerrada. Ele garantiu que pretende apresentar novos elementos ao STF e solicitar que Zanin reconsidere seu posicionamento.

O objetivo central da CPI é apurar possíveis relações pessoais, financeiras ou funcionais entre os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. A comissão também pretende investigar se esses vínculos teriam influenciado a atuação dos magistrados no Supremo.

De acordo com Vieira, o requerimento foi protocolado em março com as 41 assinaturas, mas desde então permanece parado, aguardando encaminhamento. O senador argumenta que a demora configura descumprimento do regimento interno e da Constituição.

Em sua decisão, Zanin também observou que já existe outro pedido de CPI relacionado ao Banco Master em tramitação. Para o ministro, o novo requerimento pode ser um desdobramento dos mesmos fatos, e não uma investigação autônoma, o que reforça a necessidade de análise cuidadosa.

A decisão de Zanin não põe fim à tentativa de instalação da CPI. O ministro determinou que Alcolumbre preste informações sobre o caso. Na sequência, a Advocacia-Geral da União (AGU) poderá se manifestar e a Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá ser ouvida. Somente depois dessas etapas o processo poderá seguir para julgamento.

Leia Também:  FAB investiga queda de avião que matou duas pessoas em Marília

Enquanto isso, Alessandro Vieira afirmou que enviará novos documentos ao Supremo e tentará reverter o entendimento do ministro. A tramitação oficial do Senado também registra requerimentos recentes ligados à apuração do Banco Master e a pedidos que envolvem ministros do STF.

A disputa reacende um debate recorrente sobre os limites de atuação de cada Poder quando Congresso e Supremo entram em rota de colisão. Para aprofundar essa discussão, a Brasil Paralelo produziu o documentário “A Crise dos Três Poderes”, que resgata as raízes do sistema político brasileiro e mostra como Executivo, Legislativo e Judiciário passaram a dividir poder, além de explicar por que esses limites tantas vezes se tornam motivo de conflito.

Neste fim de semana, o documentário estará disponível gratuitamente no aplicativo da Brasil Paralelo. A produção é mais um esforço do veículo independente, que não aceita dinheiro público e se financia por meio das assinaturas de seus membros.

Fonte: Brasil Paralelo Notícias

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade