Novos documentos obtidos na investigação sobre a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam que ele antecipou em um dia a viagem que faria a Dubai quando foi preso pela primeira vez pela Polícia Federal, no ano passado, após conversar e se encontrar com o magistrado.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (8) pelo UOL e confirmada pela Gazeta do Povo com fontes que acompanham o caso. A reportagem procurou o gabinete de Moraes e a defesa de Vorcaro para comentarem a apuração, mas não obteve resposta até a publicação.
Os documentos que indicam a antecipação da viagem fazem parte do processo relativo às fraudes financeiras cometidas por Vorcaro através do Master contra o Banco de Brasília (BRB), que envolvem a venda de carteiras de crédito sem lastro e à negociação barrada pelo Banco Central por irregularidades contábeis.
Segundo a apuração, Vorcaro antecipou seu voo para Dubai para o dia 17 de novembro do ano passado após conversar com Moraes. Na semana passada, foi revelado que ele perguntou ao ministro se deveria “estar fora” naquele dia, o que sugere que buscava orientação sobre a possibilidade de a Polícia Federal deflagrar alguma operação. A viagem originalmente estava prevista para a noite de 18 de novembro.
As mensagens indicam que a conversa com Moraes ocorreu na noite de sábado, 15 de novembro, e, segundo o relatório da autoridade policial, aparentemente tratava da possibilidade de uma operação na semana seguinte. Dois dias depois, no domingo, 16, mensagens mostram que Vorcaro viajou a Brasília para um encontro presencial com Moraes.
Após a conversa e o encontro, os planos de viagem foram alterados, enquanto documentos relacionados à hospedagem em Dubai também passaram a registrar uma chegada antecipada.
Até então, o roteiro apresentado à Justiça previa que o jato Falcon 7X, registrado em nome da Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro, deixaria o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, às 23h10 de terça-feira, 18 de novembro. O avião faria escala em Milão, na Itália, no dia 20, antes de seguir para Dubai, onde Vorcaro permaneceria até 25 de novembro.
No sábado, antes da mudança, uma empresa responsável pelo apoio a voos executivos havia solicitado autorização para o pouso em Dubai seguindo exatamente esse planejamento. O pedido, enviado às 21h31, tinha no assunto a identificação “OMDW – 20NOV25”, reforçando que a chegada inicialmente programada ocorreria em 20 de novembro.
Na manhã de segunda-feira, 17, porém, Vorcaro informou a dois servidores do Banco Central que a logística havia sido modificada. Em um grupo de WhatsApp chamado “Master”, o ex-banqueiro escreveu que “a turma de fora, como ficou muito em cima pra confirmar, não irão conseguir mais essa quarta, infelizmente. Me pediram pra antecipar ida pra lá pra tentarmos fazer as assinaturas”.
Segundo afirmou à Polícia Federal, o ex-banqueiro viajaria a Dubai para negociar parte do Banco Master com investidores árabes, já em meio à crise de liquidez da instituição que levou à liquidação no dia seguinte à prisão. Os supostos empresários nunca foram revelados.
“Desta forma estou mudando a logística toda da transação, eu passo para vocês daqui a pouco”, disse Vorcaro aos participantes do grupo.
Outro documento mostra que, também na segunda-feira, Vorcaro recebeu a reserva do Four Seasons, em Dubai, com a chegada alterada do dia 20 para o dia 18 de novembro. O plano de voo específico correspondente ao dia 17, data da prisão, não aparece entre os documentos entregues pela defesa.
Na época, a defesa afirmou que a reserva do hotel havia sido solicitada no domingo, 16, e uma produtora havia consultado hotéis em Dubai para uma conferência de 20 pessoas marcada para 21 de novembro, com uma suíte reservada entre os dias 20 e 22. O evento, no entanto, não foi realizado.
Fonte: Gazeta do Povo




























