Menu

CRISE ENTRE AS CORTESSTF e TSE entram em rota de colisão e expõem crise inédita na eleição de 2026

Levantamento do Estadão mostra ruptura de um histórico de sintonia entre as duas cortes e aponta avanço de decisões do Supremo sobre temas tipicamente eleitorais

publicidade

As eleições de 2026 abriram uma crise institucional inédita entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A apuração identificou decisões conflitantes envolvendo diretamente as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro e concluiu que o atual ambiente rompe uma tradição de maior sintonia entre as duas cortes.

O estudo analisou 171 episódios em quase três décadas e constatou que STF e TSE normalmente convergiram em questões eleitorais, sobretudo no combate à desinformação. Nesses casos, as cortes atuaram na mesma direção em cerca de 80% das situações e divergiram em apenas 10%.

Em 2026, porém, essa lógica mudou.

Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu às vésperas do debate presidencial da TV Globo.

Depois de o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, negar a participação de Renan Santos, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou sua inclusão poucas horas antes do encontro.

O pedido chegou ao Supremo por meio de uma ação que já estava sob relatoria de Gilmar, sem novo sorteio.

Diante das sucessivas decisões judiciais de última hora, a Globo cancelou o debate.

Leia Também:  O Escândalo Banco Master e o Narcoestado

Outro confronto ocorreu no caso das publicações que associavam falsamente Flávio Bolsonaro a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

No TSE, André Mendonça determinou a retirada das postagens.

No STF, Flávio Dino derrubou a decisão depois de ser acionado em processo que já estava sob sua relatoria.

No dia seguinte, Luiz Fux voltou a intervir e restabeleceu a ordem da Justiça Eleitoral.

Segundo o Estadão, juristas passaram a criticar especialmente o uso de processos antigos, com relatores já definidos, para questionar decisões do TSE no Supremo.

A prática pode permitir que partidos e candidatos escolham caminhos processuais capazes de levar o caso a ministros previamente conhecidos, em vez de um novo sorteio.

Para a pesquisadora Helena Funari, da FGV e Yale, o STF está hoje “invadindo mais a competência do TSE” do que em períodos anteriores.

A crise também revela uma divisão interna entre ministros.

Advogados que acompanham as cortes identificam de um lado maior proximidade entre Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.

Do outro, aparecem com frequência Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.

Leia Também:  Romeu Zema: O NOVO João Amoedo versão 2026

A tensão chegou ao ponto de Nunes Marques enviar um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, alertando para riscos de sobreposição de competências e insegurança jurídica.

Em resposta, Fachin editou uma resolução criando novos controles para determinados pedidos apresentados em processos já existentes no Supremo.

O choque é especialmente sensível porque três das sete cadeiras do TSE são ocupadas por ministros do próprio STF.

Para especialistas ouvidos pelo Estadão, o problema não está apenas nas divergências jurídicas, mas no fato de o Supremo passar a rever decisões específicas da campanha antes mesmo de uma análise definitiva pelo plenário da Justiça Eleitoral.

O efeito prático é um enfraquecimento da autoridade do TSE justamente no momento em que a corte deveria funcionar como árbitro máximo da eleição.

Como resumiu Helena Funari, “o TSE virou um campo minado”.

E a eleição de 2026 chega ao segundo turno não apenas com Lula e Flávio Bolsonaro em confronto, mas também com duas das principais cortes do país discutindo, na prática, quem tem a palavra final sobre as regras do jogo eleitoral.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

publicidade