O comportamento de Romeu Zema e João Amoêdo, os dois principais nomes que representam (e representaram) o Partido NOVO no cenário presidencial, revela um paralelo de divergências entre o discurso liberal/anti-PT e a prática política, o que resultou em divisões e desestabilização dentro do espectro da direita e consequente favorecimento ao extremismo de esquerda do PT.
João Amoêdo: a defesa das instituições vs. O dogma Anti-PT
O caminho trilhado por João Amoêdo foi marcado pela fundação de um partido que nasceu com a promessa de combater a “velha política” e o estatismo, posicionando-se como uma alternativa clara ao PT e à esquerda, mas resultou no contrário.
Divergência de discurso e prática: Amoêdo, que sempre pregou a liberdade individual e o liberalismo econômico, surpreendeu a base eleitoral e o próprio partido ao declarar voto em Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2022. Ele justificou a decisão como um “voto necessário” para proteger a democracia e as instituições contra o que considerava um risco de autocracia e golpe por parte de Jair Bolsonaro.
Impacto no eleitorado de direita: Para muitos de seus seguidores e correligionários, essa prática foi vista como uma incoerência imperdoável, dado que o NOVO foi construído sobre uma base fortemente crítica aos governos petistas. A consequência foi a sua suspensão do partido e posterior desfiliação, sob a acusação de que sua postura trazia “risco de dano grave” à reputação da sigla.
Romeu Zema: caminhando no mesmo trilho
Romeu Zema, por sua vez, projeta uma imagem de gestor eficiente, focado em meritocracia e sem “rabo preso” com conchavos políticos.
Divergência de Discurso e Prática: embora se coloque como um defensor da união conservadora contra o PT, Zema iniciou ataques frontais a Flávio Bolsonaro, uma liderança central do mesmo campo. Ele utiliza o escândalo envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro para questionar a “estatura moral” de Flávio, chamando a relação do senador com o banqueiro de “mau sinal“. Contudo, o paralelo com Amoêdo surge quando se descobre que o pai de Vorcaro também financiou o NOVO em 2022, o que gera acusações de seletividade em suas críticas.
Desestabilização da Direita: Zema argumenta que apoiar Flávio Bolsonaro é “entregar a eleição para o Lula“, baseando-se no alto índice de rejeição do senador. Essa postura, no entanto, é vista pelos bolsonaristas como uma “nova facada” e um ato que desestabiliza o bloco opositor, favorecendo indiretamente a esquerda ao dividir os votos e as alianças nos estados.
Esse comportamento, para muitos conservadores, denota uma postura oportunista e demagógica, típica, aliás, como afirmam, de governos totalitários de esquerda.
Paralelo de desestabilização
Ambos os líderes, em momentos distintos, agiram de forma a fragmentar o comportamento dos eleitores de direita:
- Amoêdo dividiu o campo ao validar o principal adversário ideológico (Lula) sob o pretexto de salvar a democracia, o que destruiu a coesão interna do partido que fundou.
- Zema desestabiliza a coalizão para 2026 ao atacar publicamente um potencial aliado, sendo acusado de agir por oportunismo eleitoral.
Zema afirma, ainda, abominar quem se aproxima de criminosos, mas ao mesmo tempo admite que manteria o apoio a Flávio em um eventual segundo turno contra o PT, o que evidencia uma tensão entre sua retórica moral e a necessidade pragmática de votos.
Em suma, embora ambos se apresentem como bastiões contra o socialismo do PT, suas ações práticas — seja no voto direto (Amoêdo) ou na guerra fratricida pelo espólio bolsonarista (Zema) — têm sido apontadas pelos próprios eleitores e aliados como fatores que enfraquecem a direita e facilitam a manutenção do poder pela esquerda.
Redação Acre Conservador






























