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EDITORIALQuando quem julga precisa explicar-se

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As novas informações tornadas públicas a partir da retirada do sigilo sobre partes da investigação do Banco Master colocam uma questão grave diante da República: quem julga e quem acusa também precisa estar submetido ao mesmo escrutínio que exige dos demais cidadãos.

Mensagens, documentos e registros relacionados a Daniel Vorcaro passaram a revelar uma proximidade que precisa ser explicada entre o banqueiro, o ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Entre os fatos divulgados estão contatos de Vorcaro com Moraes às vésperas de sua prisão, pedidos de ajuda para tratar de sua situação, referências à proteção de autoridades, cartões vinculados ao Banco Master destinados a filhos do ministro e indícios de que Moraes teve acesso ao contrato firmado entre o banco e o escritório de sua esposa.

Também surgiram informações sobre viagens envolvendo familiares de Gonet e integrantes do círculo do banqueiro.

Nada disso, isoladamente, permite afirmar que Moraes ou Gonet cometeram crimes.

Mas o conjunto das revelações é suficiente para exigir investigação, transparência e explicações públicas.

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Esse é o ponto central.

Defender as instituições não significa proteger quem ocupa cargos dentro delas.

Significa exatamente o contrário: garantir que ninguém esteja acima da lei.

Um ministro do Supremo Tribunal Federal possui poder para restringir direitos, decretar prisões e proferir condenações.

O procurador-geral da República possui poder para investigar, acusar e pedir condenações.

Por isso, ambos precisam estar acima de qualquer dúvida razoável sobre conflitos de interesse, favorecimentos ou relações inadequadas com pessoas investigadas.

A pergunta inevitável é simples: por que Daniel Vorcaro acreditava que poderia procurar autoridades dessa dimensão para tratar de sua situação pessoal e empresarial?

Essa questão precisa ser respondida.

Não por meio de notas defensivas, mas por investigação independente.

Se nada houve de irregular, a apuração servirá para preservar a credibilidade das próprias instituições.

Se houve, os responsáveis devem responder dentro da lei, com direito ao contraditório e à ampla defesa.

É assim que funciona uma República.

O problema não é investigar um ministro do Supremo ou um procurador-geral.

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O problema seria considerar que determinados cargos tornam seus ocupantes imunes à investigação.

Instituições fortes não são aquelas que protegem seus membros.

São aquelas que conseguem investigar seus próprios integrantes sem medo e sem privilégios.

A Justiça só pode exigir respeito quando demonstra que também respeita seus limites.

E a lei só continua sendo lei quando alcança igualmente banqueiros, ministros, procuradores, governantes e cidadãos comuns.

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