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EDUCAÇÃOOito povos indígenas do Acre participam de formação para professores em Rio Branco

Cerca de 80 professores indígenas de oito etnias iniciam segundo módulo do Magistério Intercultural na Feac, visando fortalecer a educação escolar indígena.

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Cerca de 80 professores indígenas de oito povos do Acre deram início, nesta terça-feira, 23, ao segundo módulo do Curso de Ensino Médio Magistério Intercultural Indígena, realizado na Faculdade Estadual do Acre (Feac), em Rio Branco. A iniciativa, promovida pelo governo do Acre por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (See), conta com o apoio do Instituto Estadual de Educação Profissional e Tecnológica (Iepetc) e da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas do Acre (Sepi).

Participam da formação representantes dos povos Huni Kuin, Yawanawá, Jaminawa, Manchineri, Shawãdawa, Jaminawa-Arara, Madijá e Ashaninka. O curso, que integra a política de fortalecimento da Educação Escolar Indígena no estado, prosseguirá até 14 de agosto, com o objetivo de aprimorar a qualificação de educadores que já atuam em sala de aula.

Para a professora Mariane Kaxinawá, da Terra Indígena Praia do Carapanã, em Tarauacá, a formação tem gerado resultados concretos. “Agora deu mais incentivo para eu ensinar meus alunos, alfabetizar e mostrar que eles também podem aprender. Os alunos são nossos frutos”, declarou. Ela afirmou que o curso mudou sua forma de ensinar: “Antes, muitas vezes meus alunos estudavam e não conseguiam aprender. Agora já sabem ler, escrever o próprio nome e estão avançando.”

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Francisco Marcelino Kaxinawá, da Terra Indígena Kaxinawá, também em Tarauacá, destacou a importância da capacitação para valorizar as línguas originárias. “Essa formação é muito importante para valorizar nossa cultura e nosso conhecimento. Tudo o que aprendemos aqui levamos para nossas aldeias, para os alunos e para nossos parentes. Eu ensino tanto a minha língua materna quanto a língua portuguesa”, disse.

O cacique e liderança indígena Ricardinho Kampa, da Terra Indígena Kampa do Rio Envira, em Feijó, com mais de 20 anos de magistério, ressaltou que a formação contribui para o trabalho educativo nas aldeias. “Aprendi muitas coisas durante o curso e tudo isso é repassado aos meus alunos quando volto para a aldeia. O conhecimento que recebemos aqui fortalece o trabalho que realizamos na escola”, afirmou.

A secretária extraordinária dos Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, acompanhou a aula inaugural e destacou que a iniciativa representa uma conquista construída ao longo de décadas. Com trajetória na educação indígena, ela foi professora, atuou na coordenação da Organização dos Professores Indígenas do Acre (Opiac) e participou da construção da política estadual de Educação Escolar Indígena. “Essa política foi construída por muitas mãos. Hoje vemos avanços importantes na valorização dos professores e na continuidade da formação. Ainda temos desafios, como a realização de um concurso público específico e diferenciado para os professores indígenas, mas já demos passos importantes e vamos continuar fortalecendo essa política”, relatou.

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O secretário adjunto de Educação, Tião Flores, realçou a oportunidade de formação. “Vocês estão tendo oportunidades que antes não existiam. A educação transforma vidas e transforma o futuro. O mais importante é que vocês estão ampliando seus conhecimentos sem perder suas identidades e suas culturas. A missão de vocês é retornar aos territórios levando esses saberes para fortalecer ainda mais suas comunidades”, disse.

Charles Falcão, responsável pelo Departamento de Educação Escolar Indígena da SEE, explicou que o objetivo é “qualificar esses professores, fortalecer as línguas indígenas, valorizar a cultura dos povos e melhorar o ensino nas comunidades. É uma formação em serviço que prepara os educadores para avançarem futuramente para uma graduação”. A conselheira do Conselho Estadual de Educação, Elisabeth Miranda, relatora do parecer que aprovou o projeto pedagógico do curso, complementou: “Precisamos de uma escola com identidade e de professores capazes de articular os conhecimentos tradicionais com os conhecimentos científicos. Essa formação fortalece justamente essa missão.”

Fonte: Agência de Notícias do Acre

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