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ATAQUE À IMPRENSAJornalista tem casa invadida, sofre tortura e relata ataque ao vivo em rádio no AC

Radialista Chico Melo foi agredido por quatro homens armados que buscavam documentos e celular; ele denunciou o caso durante o programa matinal.

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Na madrugada desta quarta-feira (22), por volta das 2h30, a residência do jornalista e radialista Chico Melo, diretor da Rádio Integração FM, foi invadida por homens armados em Cruzeiro do Sul. O profissional relatou ter sido vítima de tortura física e ameaças de morte dentro do próprio quarto, e fez a denúncia ao vivo durante o Jornal da Manhã, minutos depois do ocorrido.

Chico Melo chegou à emissora com a cabeça enfaixada e roupas manchadas de sangue. Na transmissão, descreveu os momentos de pânico vividos. Os invasores quebraram uma janela para entrar enquanto ele dormia. Segundo o jornalista, pelo menos quatro homens participaram da ação, sendo que um deles usava coturnos, portava lanterna e demonstrava preparo técnico ao imobilizá-lo e manusear a arma.

Os criminosos reviraram o guarda-roupa, o quarto e até o veículo na garagem, mas não levaram dinheiro ou objetos de valor. O foco da busca foi exclusivamente uma pasta de documentos e o telefone celular do jornalista. Durante cerca de 30 minutos, Chico Melo sofreu agressões severas na cabeça, chegando a desmaiar e a ter a visão encoberta pelo próprio sangue.

“Me espancaram brutalmente, desmaiei no momento. Estavam lá à procura de documentos e a todo momento diziam que eu sabia porque estava acontecendo”, relatou o profissional. O momento mais grave ocorreu quando um dos agressores colocou uma arma apontada contra a sua nuca. “Um deles me virou para a parede e colocou a arma na minha cabeça. Enquanto um dizia ‘vamos matar’, o outro respondia: ‘não viemos aqui para isso’. Eu tive muito medo de morrer”, desabafou.

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O radialista acredita que o ataque está ligado ao conteúdo de documentos que estavam em sua residência, entre eles o contrato de intenção de compra e venda da Rádio Integração FM, de junho de 2020, que não foi concluído, além de recibos e registros financeiros. Ele associa a invasão diretamente à linha editorial de denúncias mantida pela emissora.

Chico Melo revelou que, dias antes do crime, notou um veículo Citroën branco estacionado em frente à sua casa, com uma pessoa aparentemente monitorando seus passos. Após o ataque, ele foi atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e seguiu diretamente para os estúdios da rádio. Durante o programa ao vivo, o jornalista Rogério Wenceslau, que divide a bancada, informou que o esquema de segurança da emissora foi reforçado para garantir a integridade da equipe.

A Polícia Militar atendeu à ocorrência e registrou o caso preliminarmente como assalto. No entanto, devido à violência direcionada, à exigência por papéis específicos e às ameaças, Chico Melo afirmou que entregará todo o material documental à Polícia Federal para que as circunstâncias, a motivação e eventuais mandantes sejam devidamente apurados. “Os documentos serão entregues às autoridades para que tudo seja investigado. Espero que tomem providências. Sou jornalista e não sou obrigado a revelar minhas fontes, sou amparado pela Constituição”, pontuou.

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A família do radialista ficou abalada e, por segurança, optou por não permanecer na residência. Apesar do trauma, Chico reafirmou seu compromisso com a profissão, na qual atua há três décadas na região do Vale do Juruá. “A madrugada de hoje foi de terror. Minha família está muito abalada e não quer voltar para casa. Eu temo pela minha vida, mas poderia me calar, me acovardar e ficar quieto. Não vou fazer isso. Tenho 30 anos de profissão, todo mundo nesta cidade me conhece. Estou aqui cumprindo o meu papel. Vão ter que tirar a minha vida para conseguirem me calar”, finalizou.

A categoria dos jornalistas repercutiu o caso e entidades de defesa da liberdade de imprensa devem acompanhar as investigações. O sindicato local manifestou solidariedade a Chico Melo e cobrou apuração rigorosa. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.

Fonte: A Gazeta do Acre

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