O governo do Acre realizou, em 30 de julho, em Cruzeiro do Sul, uma reunião técnica com representantes do Peru para ampliar a cooperação bilateral em saúde e direitos humanos, priorizando o atendimento a populações vulneráveis na região de fronteira, especialmente do departamento peruano de Ucayali. O encontro foi intermediado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e contou com a participação da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).
Participaram o diretor regional de Saúde de Ucayali, Patrick Pando Vargas, e o diretor da Rede de Saúde de Coronel Portillo, Lucas Borjas. Segundo Patrick, a reunião representa um avanço para consolidar uma cooperação permanente. “Um dos principais objetivos é viabilizar uma ponte aérea para evacuação de pacientes em emergência entre Peru e Brasil”, afirmou.
A diretora de Atenção Especializada e Unidades Vinculadas da Sesacre, Francinete Barros, destacou que o encontro inicia uma agenda estratégica para o Acre, estado de fronteira. “O SUS, universal e acolhedor, está aberto para atender. Agora buscamos dar segurança jurídica a esse atendimento, para construir um fluxo organizado de assistência”, disse. Ela também mencionou a redução da mortalidade materna como prioridade. “Muitas mulheres perdem a vida por distância e dificuldade de acesso a serviços especializados”, acrescentou.
Municípios como Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus, na fronteira com o Peru, têm comunidades indígenas e ribeirinhas que frequentemente cruzam a divisa em busca de atendimento. A secretária adjunta da SEASDH, Sandra Amorim, apontou que, nos últimos cinco anos, foram registradas mortes de mulheres durante gestação e parto na região. “Diante desse cenário, é necessário fortalecer assistência humanitária e atendimento em saúde”, afirmou.
O chefe do Departamento de Relações Institucionais da Secretaria de Planejamento, Francimar Cavalcante, reforçou a intenção de estruturar um modelo de cooperação. “Muitas pessoas do Peru vêm ao Brasil para atendimento de saúde, gerando dificuldades na justificação de custos”, disse. Entre as propostas debatidas estão a inclusão de intérpretes de espanhol e línguas indígenas, capacitação conjunta de profissionais, criação de grupo de trabalho permanente, estruturação de transporte aéreo para emergências e elaboração de termo de cooperação binacional. A expectativa é ampliar o acesso à saúde e reduzir o tempo de resposta em urgências.
Fonte: Agência de Notícias do Acre



























